Terça-feira, Dezembro 23, 2008

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut. Dezembro de 2008

Especialzinho de NATAL

Para ser lido, relido (se o caso for!) e rido.
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Periodicidade? PE-RI-O-DI-CI-DA-DE?!


Du Andy e a lenda de natal
Por Lehgau-Z Qarvalho

Du Andy era, por profissão, ajudante do Bom Velhinho e seguia feliz a sua vida de peripécias dedicadas ao bem fazer. Até que um dia, consultando no Google sobre “lendas de natal”, leu que, nos países católicos da Europa Central – por exemplo, sul da Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia e Croácia – "São Nicolau", em outros tempos, era acompanhado por ajudantes que usavam máscaras e roupas pretas (ou pintavam a cara de preto), peles de bode ou outros adereços supostamente "diabólicos", e se encarregavam de assustar e/ou ameaçar as crianças que teriam sido mal-comportadas durante o ano, deixando para elas, ao invés de presentes, pedaços de carvão. Excitado, Du não conseguiu mais dormir direito desde então.

Muito próximo da tal noite em questão, Du Andy, cansado de ser queridinho, gordinho, fofinho, orelhudinho, narigudinho e todos os tipos de “inhos”, resolveu, de uma vez por todas, ser “ÃO” e, como primeiro passo, achou por bem (ou melhor, por MAU, muito MAU!!!) trocar de nome. Queria se chamar Nomo, Gui Nomo. E já que estava em horário de expediente, passou no departamento pessoal e disse que não estava se sentindo bem, que precisava consultar um médico, só para poder sair, e foi até o cartório mais próximo.

Como seu pedido fora recusado de imediato e, ainda, fora vítima de um péssimo atendimento (todos só pensavam na noite de natal e no feriado do dia seguinte), Du, sentindo-se deveras infeliz, tentou cortar os pulsos com bolacha Maria. Não dando certo, foi para o shopping endividar-se comprando eletrodomésticos em doze vezes “sem juros”, e entupir seu corpinho (CORPÃO, CORPÃO!!!) de sorvete de baunilha e chocolate com marshmallow.

Quando voltou para a fábrica no dia seguinte (a BOM VELHINHO'S – Presentes e Ho, Ho, Hous LTDA – com status de microempresa apenas aparente, para pagar menos impostos), levou um gancho do Papai (e patrão) Noel e, com não tinha atestado médico para apresentar justificando a sua ausência no dia anterior, além de descontado o dia não trabalhado, ainda teve de trabalhar na véspera, na noite de natal e no dia seguinte, como sorridente puxador de renas. "E nada de bebidas alcoólicas antes, durante ou depois do trajeto!", proibiu Papai Noel.

E ah, já ia esquecendo: viveu (mais ou menos) feliz para o resto de seus dias.



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Um Feliz Natal!!!

E grandiloqüente 2009, pois!!! 8)*



Terça-feira, Outubro 07, 2008

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut. SemTembro de 2007.
Edição de número 010
Para ser lida, sentida, sentida e sentida.
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Periodicidade? Don’t fuck, please!




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Editorial
“E poetando suas emoções, seus sentimentos, suas galochas e calosidades, ele faz de si um espelho do mundo que o cerca, não raro abrindo mão de sua face, dita angelical (apenas pelos com mais de dez graus de miopia) para refletir imagens da vida com ácida ironia e, às vezes, com fino sarcasmo”, constatou Melanie, antes de pôr o dedo na goela.”

Você disse poesia?! Não?! (Bem, desculpe-nos, mas a culpa não é nossa). Disse sim?! Parabéns, você acertou!! Essa é uma edição totalmente voltada para a poesia (é que andamos meio sensíveis por aqui, e tal). E claro, nós concordamos: poeta bom é poeta morto! E é exatamente por isso que nossos copinhos contendo cicuta (da boa!), já estão a postos para serem consumidos de um só gole e de supetão; com salzinho na borda e limão (pois é, rimou – efeito do clima), por todos aqui da redação (hi, está ficando crônico o negócio), logo após o fim dos trabalhos, ou a sua conclusão (tsc, tsc...), e o envio, por e-mail, para todos os leitores de plantão (Oh God!).

Mas, sim, a poesia. Oh, a poesia. Yeah, a poesia. Slurpt, a poesia. Scataplam, a poesia!!

É claro, algum leitor mais radical (sim, eles ainda existem!), pode, de dedo e espada em riste, objetar raivoso: “mas essa shit (do inglês, conforme a Mônica Pessegueiro do Amaral = droga!) não se apresenta sempre como de cunho, eminentemente, nonsense?! (Pode não parecer, mas ele está realmente bravo - fulo da vida, feroz, danado, irritadiço, tempestuoso, denso, agreste, forte, de difícil cicatrização!!). Bem, bem, bem, responderíamos nós: “queres tu, oh nobre leitor e amigo, algo de cunho mais eminentemente nonsense do que a maldita poesia?!

Porém, depois de muito analisarmos: peça por peça, verso por verso, estrofe por estrofe (isso ainda existe?!), scrap por scrap, post por post, link por link, shit por shit, acabamos por chegar a uma única, triste e irremediável conclusão... A qual, para o nosso mais completo desalento e estapafúrdia vergonha, não lembramos qual é.

Bem, dito isso, só temos mesmo a acrescentar o seguinte: “Com mil garranchos, estamos todos perdidos!”


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Borboletas no estômago

Estou sentimento puro
Tão brilhante quanto obscuro
Portanto, chegue com vagar
Para as borboletas
Não afastar



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Anima

Não consigo dormir; tenho um sonho atravessado em minhas pálpebras.



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Sonhos

Ana perambula pelo mercado dos sonhos. Sonhos frescos; sonhos. O vendedor grita que tem os açucarados, de goiabada, coco e creme de baunilha. Tem também os de unhas, alcachofras, de mangas de camisa e os em forma de pesadelo.

Chega ao mercado um outro ente, muito triste porque faz muito tempo que não sonha. Ana, açucarada, de goiabada, coco e creme de baunilha; leva-o pela mão e ajuda-o a escolher sonhos. Sonhos frescos. Quiméricos; sonhos. Sonhos galeanos. Asas para voar dormindo.

E vão-se embora os dois; tão carregados de sonhos que não haverá bastante noite.


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E eu sentia o teu cheiro que eu nunca senti
E eu via o movimento dos teus quadris
Que eu nunca vi
E eu aspirava o teu hálito
Que eu nunca provei
E eu pensava que amava
Quem eu nunca beijei
E eu vivia essa vida
Que eu nunca experimentei


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E possuíam o seu lado obscuro
Cada um
Por vezes aflorado
Por outras não

Mas sempre
Um por vez
Desliga-se a luz
Acende-se o lampião

Mantiveram-se unidos, pois
Apaixonados

Até o dia
Inevitável dia
Em que se encontraram

Primeiro
Luzes em excesso
Depois
Obscuridades em processo


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E lembre-se:

A possessão é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce para a si próprio consumir.
Lehgau-Z Qarvalho e William Shakespeare (baita parceria!).


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K

Bem, bem, bem: cá disse que vinha e cá vim. Demorei por certo. Desculpas cá deixo. Peço-te o bem, cá paz. Nos vemos no setor das brumas, pois.


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E o limite da fé em um sonho
É o acordar
O despertar sincero
O bocejar enfadonho
O limiar
Entre o belo e o medonho


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Para quem bem merece

Se vais bancar a irredutível
Eu bem sei tornar-te substituível


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Periférico

Minha vida estava ali
Meio que armazenada
Esquecida em um pen drive
Que caiu para trás do armário

Até que um dia
A dona veio
Reconheceu-me como seu
Tão entranhado, o pó soprou
Levou-me dali
E, carinhosa, me plugou

Passou-me para o HD
Examinou o conteúdo
Trocou arquivos de lugar
Pensou sentiu pensou
E retirou-me devagar

E eu ali
Louco de medo do mundo
Feliz por ser quem sou
Pensando nas vantagens da pequenez
E certo de ser levado
Em um bolso no lado esquerdo
Dali para qualquer lado

Mas não foi o que ocorreu
Verificado sem afeto
E ante um qualquer mais importante
Fui atirado sem piedade
De volta para trás da estante


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E querendo ter tudo ao mesmo tempo
Obteve nada além do que tudo ao mesmo tempo


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Das verdades hipócritas

Penso em ti
Mas coito com outrem
Penso em outrem
E coito contigo


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Bem-ditos sejam os anjos

E pedia sinais sobre seus próximos passos
E eles o mandaram
Em forma de pixels
E obteve a certeza
Sua vida
Ainda era a mesma

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E quanto aos sonhos desperdiçados
Compra-se outros
Como se roupas novas fossem


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Quases

E estava prestes a estar prestes
Deslocaria-se de verdade
De ponta a ponta
Na rosa
Dos ventos

Não mediria esforços
Se preciso fosse
Seria um outro
Um novo alguém
Um alguém por alguém
Que especial tornara-se
Vindo do espaço

E, sim, sairia de si
Para encontrar-se

Iludira-se!
Ah, iludira-se!
Como iludira-se!
E consumira-se
Abraçara-se

Usurpara-se de si mesmo
Momentos marcantes
De vida íntima
Em um inverno rigoroso
Transformado em primavera
Antes do tempo certo

E pensara estar
Muito perto da felicidade
Perto mesmo
Como lábios
Segundos
Antes do beijo

E sonhara estar
Muito próximo do paraíso
Próximo mesmo
Como um Adão
Nu
Antes da maçã

Mas traído for a

Por sua costela
Maldita costela
Mentirosa costela

E traído for a

Por sua boa fé
Sua crença louca
Nas possibilidades impossíveis

Sim, traído fora
Por si mesmo
Por deixar-se abandonar
Em devaneios
Malditos devaneios
Verdadeiros devaneios

Mas, sim, traído fora
Por sua miragem predileta
Sua idealização mais completa
Sua diletante mais seleta
De indiscutível relevância
Para, talvez, o resto de seus dias
Sua sombra em teoria
Seu projeto mais audacioso

Mas, sim, traído fora
E de perdoar não é capaz
Porque traído uma vez
Perde-se o poder
De reacreditar
De viver em paz


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Tristes, tristes, sim, os sentimentos quando se esvaem
Quando não valorizados
Morre-se
Tudo vira tão pouco...

E chegar ali, bem perto
E desencomendar a alma, assim
E desaperceber-se
E ter de desapegar-se
E dessentir

Tristes, tristes, sim, os planos pelo ralo

De Caeiro
O que nós vemos das coisas
São as coisas

De Reis
Nada se sabe, tudo se imagina

De mim
Circundo-me de rosas, amo, bebo e calo

Em silêncio
Sigo sendo uma simples mutilação de mim

Mas há o alento
Sim, pois, sempre há
E ele dorme a corda em mim
E eu teimo em não lhe dar reconhecimento
Em não lhe abrigar, enfim

E ele está sempre lá
Quando preciso
Oferecendo-se inteiro
Dando-se de presente

E meus olhos não o querem ver
E em minha caixa torácica
Recusa-se mais forte
O órgão a bater

E absurdo me entendo
E improvável me surpreendo
E ingrato percebo ser


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Aquilo aconteceu no dia do aniversário. Sim, ele se dispôs a ser ele mesmo. E ela era só festa. E ele partiu para pensar o que sentia. E já não podia responder mais nada. E já não possuía fôlego algum para suspirar. Estava em um estado interno de calamidade pública. Possuía tantos corações apontados para si, que já passara a temer seus desejos. Sua força crescia tanto, a cada dia, a cada minuto, segundo, que não mais se reconhecia como o de sempre. E temia. Apenas temia. E estava prestes a ser feliz, e não sabia.


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E carregava-a no bolso, para onde quer que fosse, cuidando sempre para não acertá-la com uma caneta, embalagens de chicletes ou papelotes contendo listas de compras ou bilhetes furtivos; ou, ainda, amassá-la com o peso da própria mão, nos inúmeros momentos em que resolvia acariciá-la durante seus mais diversos e inusitados trajetos e locais de vida comum.

E sentia-se tão feliz, que poderia berrar, sem trégua, por dez dias e dez noites; pichar muros, paredes e viadutos por trezentas horas sem parar; nunca mais dormir; sair pelo mundo sem dar satisfações e remover toda a insensibilidade do universo em um entregar-se por completo. Ainda que ninguém nada percebesse.


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Chuvas para molhar lençóis

Até os céus estão intensos. Emocionam-se, pois. Pedem companhia. Clamam por sedentos lábios espessos e intumescidos. Querem ser saboreados, os céus. E querem descansar e depois despertarem ao lado de outros céus. Os da tua boca. E comer tua estrela cadente; alimentar-se de teus cometas; visitar teus buracos negros; e percorrer tua Via Láctea, bebendo-te toda em pequenos goles e roçares de língua; e começar e recomeçar tudo outra vez, até que a segunda-feira faça-se fortes luzes e ruídos abstratos. E voltemos, assim mesmo, às chuvas para molhar lençóis.


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E sentia-se tão fictício, como se sexo solitário fosse

Sim, arrancava-se a própria alma com uma violência tão doce que poderia deixar de ser ele próprio, sem um mínimo de vestígios, para ele próprio. E comia, todo dia, o pão dormido das velhas novidades. E alimentava-se de sonhos mal resolvidos; e que de tão improváveis, tornar-se-iam realidade.

Sim, possuía algumas microcertezas. Tanto quanto lhe era razoável conceber, possuía. E perambulava sonâmbulo em meio às rotinas acinzentadas; e em cores. E balbuciava pequenas loucuras para si, concluindo que não há conclusões possíveis. E balbuciava-se. E desentendia-se. E reacendia-se. E temia-se. Temia pelo preço da felicidade. Temia pela ânsia de querer viver, e suas conseqüências. E temia pela possibilidade de tornar-se um mendigo. E pela possibilidade de tornar-se rei. E pela possibilidade de continuar a ser quem era.

Temia, também, porque sabia que temer é existir. E existir é fausto; para poucos. E, sabia, não há como viver sem existir.

Sabia, então, sabia, que às dúvidas, mesmo estranho podendo parecer, tinha, sim, a elas, só que agradecer.


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Amar-te, eu sei, não é o melhor para mim

Faz-me sofrer e é uma dádiva

É a ficção mais real que já vivi

É o absurdo mais sensato que comigo já se passou

És a incógnita mais transparente que já me apareceu




Amar-te, eu sei, não é o melhor para mim

É um erro brutal

Mas eu já não me importo

Eu quero é tocar-te

sempre

Beijar-te as axilas

Morder-te os pés

Beber-te ao café da manhã

Servir-te de alimento para os meus teus dias

E jamais enjoar-te

Ao repetir-te

Em tua cama sedenta

Entre tuas pernas macias

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Do necessário para voltar a respirar

E meus sonhos eram mais uma sensação
Do que um pedaço concreto de geografia
Mais uma navalha de açúcar
Do que canção sem melodia

E não, eu ainda não sabia
Que sonhos tornam-se letras
Que viram em sons
E trazem cardíacos
O que transcendemos

E, sim, desejei bem forte
E foi quando me veio ela
Certa feito o incerto
Densa, composta e fácil
Complexa como uma lágrima

Logo que chegou
Fiquei calado
Jamais poderia imaginar
Com que intensidade
Iria ser devorado

E mordiscado fui
Mastigado e deglutido
E tornei-me gosto
Paladar
Pimenta e mel

E pensei em fugir
Sair do planeta
Trocar de universo
Voltar à placenta

Mas, outra vez
Ela me veio
Grave, intensa
Lançando palavras
Fazendo promessas
Dizendo-se minha

E eu acreditei
Fiquei tão feliz
Fui lá lhe falar

Meu crânio se encheu
O peito fluiu
E em sua saliva
Voltei a nadar

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Sentimentos são vibrações
Poeira cósmica eu diria
Que atravessam dimensões
E nos perseguem noite e dia

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Sonho bom

E ela me veio como um sonho bom
E eu dei uma de despercebido
Talvez por andar com o coração roto
Ou por acreditar-me não merecido

Eu sei é que ela me veio como um sonho bom
Desses que jamais esquecemos
Mas que tentamos não lembrar
Para arriscarmos a felicidade
Apenas com o que já temos

Mas ela me veio como um sonho bom
Os olhos eram grandes qual sede de mundo
A boca: uma torrente de maus caminhos

Os cabelos, de tão longos e rebeldes,
Pediam, incessantes, o toque manso e terno das minhas mãos,
Dos meus singelos carinhos

E, sim, ela me veio como um sonho bom
A pele com aquele ar de coisa e tal...
E tal e coisa...
Um arrepio ambulante
Um devaneio para mais adiante

E sobre o sorriso? Ah, o sorriso!!!
De preencher vazios interiores desde outras vidas
De vazar os olhos de qualquer sensível
Os meus olhos, grudados na tela viva
Fitando o invisível

E o interior da caixa craniana!!!
Feliz e intensa ligação com as coronárias...
De pé no chão e melenas ao vento
Pronta para alçar vôo a qualquer momento

Ah, ela me veio como um sonho bom
E eu querendo carona
Sendo prudente e verdadeiro
E ela a pedir-me distância
E eu qual suspiro derradeiro

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Mundo vasto (da vez última)

E, ao sentir irritados os olhos sôfregos, culpou a poluição
Maldita poluição!
E pediu-lhe um pouco de ar...
Mais ar...
Mais ar...
E o peito a não lhe responder a altura
E a lamentar o tamanho do mundo
Pediu-lhe um pouco de água
Apenas água
E ar...
Mais ar...
E sentiu cessarem os pulmões
E bebeu seus globos oculares

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Is there any way out of this dream?!


Romeo is bleeding

Lookin' so hard

Against of his cup of coffee


Yes, Romeo is bleeding

But nobody can tell

He sings along with the radio

With a bullet in his chest

And he winces now and then


And Romeo is bleeding

And it's time, oh its time

Oh, yes...

And it's time


And the wind blows cold

And says:

So just close your eyes, son

And this won’t hurt a bit


But Romeo is bleeding

Oh, yes…

Romeo is bleeding

And he says her prayers


And it’s time and eternity

And it’s time and space

The time of delivery

The time of flight

In a state of grace


And, yes…

Romeo is bleeding

And he sings a sad song

And, yes…

Romeo is bleeding

But it feels that it

can be happy

and strong

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Ênclises

E ele sentou-se em frente ao seu PC, e implorou por outra vida. E, de repente, ela veio. Linda; poética; profunda. E ele agradeceu às leis da atração e do desejo sem fronteiras. E ela foi como um sonho mágico. E tocaram-se; e cederam-se; e amaram-se como só em sonhos é possível. Só nos mágicos. E, tanto quanto ele a possuía, entregava-se. E sonhavam-se. E comiam-se. E respiravam-se. Bebiam-se como se a última gota na face da terra fossem. E suavam-se e lambiam-se para continuar a matarem-se as sedes. E escreviam-se. Ah, como escreviam-se!

E abusavam das exclamações!!! Interrogações? Quase nada. Necessitavam-se. E descobriam-se a cada sílaba, a cada léxico. E reinventavam-se todo o dia. E rezavam-se para serem-se apenas um. E interiorizavam-se. E desenhavam-se, tanto com a língua culta, quanto com os erros gramaticais e os neologismos. E aguardavam-se. Sedentos. Ensandecidos de si mesmos. E não faziam planos para o futuro; porque nele já estavam. E entendiam-se sem os códigos; namoravam-se em seus estômagos. E vislumbravam-se sem medo. Luziam-se. E escutavam-se como se divinas melodias fossem; e eram. E emocionavam-se; ah como emocionavam-se. Liquefaziam-se até. Amavam-se; sim, amavam-se! E tinham sorte; muita sorte. Toda a sorte do universo. E pertenciam-se. Ah, como pertenciam-se...



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Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.

Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Recite um Bilac qualquer, mas bem longe da nossa redação. Depois saia por aí para fazer qualquer coisa que não seja recitar um Bilac. Depois volte para casa, ou vá ao cinema, ou vá ao shopping, ou vá catar coquinhos, ou seja lá o que for... Use a criatividade, ora bolas!!!

Só não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:
eunaoqueromaisreceberessacoisatriste@cancaborrada.com.br,

ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase:
“Eu sou contra tudo que não sou a favor (ou não)”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está e... bem, é só isso.

Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br

Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.
Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal):
“Nem vem que não tem”.

Sem mais delongas:

Lehgau-Z Qarvalho – O autor de todos os poemas aqui publicados.
Ottomano Vibe – O leitor de todos os poemas aqui publicados.
O Resto – Foram ali na padaria, e já voltam.


http://khzine.blogspot.com

Segunda-feira, Junho 02, 2008

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut. Outrotubro de 2007.
Edição ESPECIAL de Lançamento do livro do Lehgau-Z Qarvalho:
A Teoria das Sombras
Para ser lida, por óbvio!
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Periodicidade? Tem não!
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Editorial

Bem, bem, bem, caríssimo(a) leitor(a) deste KHzínico meio de (des)informação aplicada, nós (eu, eu mesmo e o Otto) temos o prazer de apresentar-lhe – em primeiríssima mão (pé, cabelo e maquiagem)-, o grande, o fenomenal, o “é um pássaro; é um avião, não... é Ele...”, o verbo, o livro... enfim, a estréia do Lehgau-Z nos complexos meandros da narrativa longa (média, média), intitulada, pois: A Teoria das Sombras. E, por conseguinte, a nossa primeira edição ESPECIAL (não é o máximo! ES-PE-CI-AL, assim, em caixa alta e tudo, huummmm...). Você vai deliciar-se (sim, nós temos certeza), caríssimo(a) leitor(a), com os pequenos trechos extraídos dessa tão magna obra a ser lançada em 04 de outubro do corrente ano, na fabulosa, excepcional, maravilhosa, espetacular, bacanérrima: Palavraria! Que fica na Vasco da Gama, 165, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, e cujo número de telefone é 3268 4260. Os “textículos” extraídos (AAAiiiiiiii) aqui incluídos, foram gentilmente cedidos pelo tão agradável (meio aluado, é bem verdade) e supimpa autor.

É claro que ele, o Lehgau-Z, deu-nos uma ajudinha aí para que pudéssemos colocar em dia a conta da água, da luz, da padaria, da florista (sim, nós temos sensibilidade) e, como não poderia deixar de ser, do boteco (sim, também não somos de ferro). Mas, NÃO, não rolou jabá de forma alguma. Queremos deixar muitíssimo claro aqui, desde já, que somos, sim, radicalmente contra tais práticas absurdas de apropriação indébita de cascalho alheio para fins, tanto escusos, quanto ilícitos, de manipulação ou apalpamento da opinião pública (UFA!).

Dito isso, deixamos a palavra agora com o mestre, escritor e professor Luiz Antonio de Assis Brasil, que, para a efusiva alegria do autor, prefaciou o livro do Lehgau-Z (Uh, lá, lá!!!):

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“Quem conta uma história na primeira pessoa sabe: nem todos irão acreditar. A literatura tem dessas coisas, e aí está o seu maior encanto, esse ficar entre a mentira e a verdade. Você, que tem este livro entre as mãos, deve embarcar na aventura sem maiores questionamentos. Pense em seu tempo de criança e no quanto acreditava nos contos de fadas. Ou mesmo agora, quando você lê um romance ou vê um filme de ficção científica. Uma coisa é certa: isso não será difícil, porque se trata de um livro muitíssimo bem escrito. Nada falta, nada sobra, é um texto impecável que, embora se mantendo simples, é dotado de uma excepcional sofisticação, revelada pela frase bem construída, pelo léxico preciso, por algumas imagens raras e poéticas. Quero dizer, em outras palavras, que o autor não começou hoje, e que tem muitos anos de estrada. Isso você vê pelo texto, sim, mas também pelas múltiplas alusões culturais espalhadas aqui e ali. Muitos tentam fazer isso e acabam numa deplorável colagem sem algum sentido.

"Isso, o bom texto, já seria o suficiente para que você não o largasse de mão. Mas há mais, e esse mais está na história contada. Uma personagem que se envolve em assassinatos, em ações politicamente incorretas, em estripulias de toda ordem. Você segue adiante nesse mundo patético, querendo saber o que acontece depois e depois e depois – e assim chega recompensado ao final do livro com uma obra de grande força. E você, é certo, vai repensar um pouco a sua vida. Há vários momentos em que A teoria das sombras envereda pelo ensaio, mas, concordemos ou não com suas idéias, elas são expressas com tal naturalidade que parecem fazer parte da ficção (ou fazem e eu não percebi isso?).

"Lehgau-Z Qarvalho, como todo escritor, faz uma promessa a seu leitor, e essa promessa ele a cumpre, a de contar uma boa história. E ela começa quando o protagonista encontra e se apaixona por Simone, e o “de Beauvoir” não será apenas um acaso. Não vou dizer quando termina, nem o que acontece a esse amor. Procure. Isso não será difícil. É só deixar-se levar pelas artes da literatura que estão, em pleno, neste livro.”


Luiz Antonio de Assis Brasil
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Sem mais delongas, pois:

“Pára, pára! Tá doendo, tá doendo! Você vai me arrebentar toda...”
“Você já leu Dostoiewski?!”, berrei enquanto puxava seus cabelos com força.
“Crime e castigo? Hein?”, continuei. “Já leu Henry Miller? Hein? Charles Bukowsky? Já leu? Rubem Fonseca? Edgar Allan Poe? Nelson Rodrigues? Hilda Hilst? João Gilberto Noll? Caio Fernando Abreu? Daniel Pellizzari? Kerouac? Jack Kerouac? Fante? Não?! ”




Em poucos milésimos de segundos, seu cérebro estava espalhado pela calçada e a Magnum fumegava nas lindas mãos de dedos longos e unhas perfeitas de Simone. Ela soltou um suspiro profundo, cuspiu para o lado e disse:
“Hiurrurru!”
Encostou seus lábios em minha orelha e sussurrou:
“Isso me deixou molhadinha.”
O ladrão de galinhas não sabia se ria, chorava ou segurava a urina. Optou pela primeira situação e molhou as calças.
Perguntei do que estava rindo. Ao que me respondeu, sem conseguir ocultar o nervosismo:
“Por acaso, vocês são dos Direitos Humanos?”




Durante o tempo em que rodávamos espreitando uma oportunidade para fazer o serviço, listávamos possíveis futuras vítimas para encarar a Magnum e, assim, limparmos o sistema.
“Políticos!”, sugeriu empolgada.
“Não sei. Precisamos de verdadeiros responsáveis pela miséria humana.”
“E eles não são?!”
“Querem nos fazer crer que sim, mas não passam de meros fantoches. São pagos, e muito bem por sinal, para apanhar. O fato de serem malvistos e malfalados não os incomoda como pode parecer aos mais incautos...




“Esquerda e direita são coisas do tempo em que o mundo se pretendia dividido em apenas duas partes, uma total e necessariamente contrária à outra. Ou preto ou branco, ou claro ou escuro, ou salgado ou doce, ou mocinho ou bandido, ou o bem ou o mal, enfim, ou isso ou aquilo. Mas, de fato, nunca foi assim.”




Freud tinha razão. Marx, por sua vez, falhou em não pensar nisso ao escrever O Capital. Talvez por isso sua doutrina, quando posta em prática, tenha fracassado tão drasticamente. Já o capitalismo captou desde sempre essa questão em toda a sua singela complexidade, e levou-a às últimas conseqüências. O que seria da publicidade se nos assumíssemos como brochas convictos?




Estava tão alto que decidi pagar uma rodada de Big Mac’s com batatas grandes para todos os presentes.




“Não posso entender por qual motivo”, argumentei então, “Madonna não ‘afronta os valores vigentes’ também. Só que os de duas ou três décadas depois. Assim como Janis, usando roupas escandalosas e fodendo com todo mundo. Aliás, entre Janis e Madonna na cama, eu fico com Madonna sem pestanejar.”




“Suponho que isso tenha a ver com a carne vermelha, estou certo?” Fiz cara de bobo.
“É, é. É exatamente o que eu tô tentando dizer também. O consumo de carne vermelha leva à total agressividade.”
“Puuuuuxa! Isso é incrível! Você é muito bom nisso, hein! E, supondo que você já tenha consumido meia Colômbia em forma de fumaça, a essa altura já deve ter descoberto QUEM são Eles, O QUE Eles querem e DE QUAL FORMA estão agindo, certo?”




“É senso comum que crianças e adolescentes devam ser incentivados à prática esportiva. Os argumentos variam da saúde e boa forma ao sentimento de coletividade e competitividade. São esses dois últimos que complicam as coisas: como posso competir, tentar ganhar, vencer o rival, dobrar o inimigo e torcer por ele ao mesmo tempo? O ser humano, através do esporte, já é moldado para o embate e a hipocrisia desde muito cedo.”




O Silêncio diz mais sobre o amor, do começo ao término, do que qualquer ato desesperado, despreocupado, excitante ou qualquer outra alternativa possível.




...arqueando-se no banco, soltou o botão, arriou o zíper, baixou as calças, tirou as calcinhas e abriu as pernas. Os olhos do homem pareciam que iam saltar de suas órbitas empapuçadas. De gorjeta, ainda deixou um seio à mostra por completo, levou-o à boca e lambeu o próprio mamilo, passando a outra mão entre as pernas e chupando o dedo indicador logo em seguida. O maxilar inferior do desgraçado arriou até o umbigo. Suas pestanas não se moviam um tosco milímetro. Estava no céu e não sabia direito por qual gratificante razão. Não tinha sequer tino para aplicar um pesado beliscão em seu próprio braço.




“Sim, pois não? O que seria?” Perguntou calmo e em grave tom de voz.
“Seria que nós viemos aqui para almoçar”, retruquei.
“Não servimos almoço aqui”, continuou sereno.
“Ah, não?! Então pode mandar servir a janta. Adoramos jantar no meio do dia. É que somos notívagos, sabe? Trocamos o dia pela noite. Como vampiros, entende?”
Levantei o lábio superior com os dedos deixando os caninos à mostra.
“E nós somos os crucifixos e a água benta”, soltou mantendo a fisionomia impávida e limpando a unha do dedo mindinho com a ponta da afiada lâmina.
Gostei dele. Sabia trabalhar com as palavras. Era ágil e rápido como uma lebre.




É quase desnecessário dizer que esse seu último gesto seria, literalmente, o último. Mas eu estava querendo ver até onde aquilo iria. Além do mais, ela estava com desejo de comer carne crua. E eu com desejo de saciar os desejos dela. Se eu fizesse o que esperava que fizesse, teríamos de sair dali no mesmo instante. Eles eram muitos e com facas nas mãos. E eu sem a Magnum.




“Está gostoso, garanhão? Hein, meu patrão? Meu senhor do engenho. Raça superior. Será que seus ‘antepassados’ gostariam disso? Hein? Aposto que nunca fizeram sexo tão gostoso assim. Hein? Será que eles eram tão descorteses para com uma dama como você? Agora você vai poder perguntar para eles pessoalmente, seu boçal, bronco, covarde, estúpido, imbecil...”




...pegou um dos espetos, já devidamente ‘descarnado’, de cima da mesa, sentou de pernas bem abertas na frente do cérebro de minhoca ancestral e passou a brincar com o cabo do utensílio, esfregando-o entre as próprias pernas e jogando a cabeça para trás e uivando de prazer. Logo, levantou-se e disse incisiva:
“Vamos ver se isso aí funciona mesmo!”




...parecia um tanto aflita. Como se intuísse algo de ruim a desdobrar-se nos próximos momentos. Fiz sinal com o dedo para que ela se aproximasse. Pulou para o banco de trás e aninhou-se em meu colo. Os céus, então, transbordaram de vez. Ficamos longos e saborosos minutos em silêncio, operando pequenas carícias um no outro.




Logo, percebi o chão sumir, o teto se deslocar e meu corpo flutuar lúgubre. Eu estava leve e, logo, muito sereno. As escotilhas do meu cérebro pareciam ter sido abertas, e uma brisa leve penetrava envolvente e apaziguadora. Eu tinha apenas dez anos de idade e conversava com meu pai sobre pescaria.




Primeiro, meu cérebro começou a encolher como o de um presidente da República de um país em guerra. Sentia o crânio oco. Depois, meu sangue passou a borbulhar. O coração batia lento. Meus dedos foram ficando curtos. E depois as mãos. E as pernas. E todo o corpo. E aí, sem mais nem menos, fui sugado para dentro do buraco no tronco da árvore. Pensei: só falta agora me aparecer um coelho com um imenso relógio dependurado no pescoço a passar rápido por mim berrando que está tarde.




Eu escutava aquele monte de lamúrias com certo desinteresse até que, já um tanto aborrecido, perguntei-lhe se nunca havia lhe ocorrido, durante toda a sua carreira, ou mesmo naquela ocasião, trocar de ofício. Ou trocar de família. Ou, ainda, trocar de vida. Antes que pudesse responder qualquer coisa, perguntei-lhe também se já havia pensado no que estaria fazendo naquele exato momento se tivesse nascido sem as pernas ou sem os braços ou sem a visão.




L dormia de duas a três horas por dia. Passava as noites inteiras fuçando na rede mundial de computadores e em seus aparatos tecnológicos. Devia ter umas vinte máquinas montadas e em pleno funcionamento. Todas interligadas.




Não apaguei por completo. Eu ouvia o que diziam, mas não conseguia enxergar nada. Estava no escuro. Fui levado para a casa de alguém que morava ali por perto. Sentia tapas ansiosos na cara e copos com água sendo derramados em meu rosto e lindos versos de um poema ignorado.




Não éramos nem ácido nem base nem nada. Trazíamos o pH, nem mais nem menos que sete. Éramos substantivos não animados. Condutores com potencial zero em um circuito de corrente alternada. Rochas com porcentagem de sílica variando entre cinqüenta e dois e sessenta e cinco por cento. Não nos posicionávamos. Abstínhamos de tomar partido. Sem marcação ou clareza. Imprecisos. Vagos. Indefinidos. Indiferentes. Éramos neutros eletrônica e quimicamente.

Ao amanhecer, fizemos sexo.




...acrescentávamos loops e ruídos eletrônicos, colocávamos uma boa batida, ou não, e liquidificávamos o total formando uma grande salada rítmica, cultural, arquitetônica e espiritual. E tudo feito em casa e com não muitos recursos técnicos. Apenas, é claro, com uma razoável placa de som inserida em um computador pessoal.




Ao acordar, pairava sobre mim uma sucessão de jamais-vécus. Eu era um peixe só, encerrado em um homeopático aquário. A cada volta ao meu entorno, tudo era novo e desconhecido. A morte nos faz assim. Ou a consciência milimétrica da sua existência. Depois é só depois. Agora é o que temos. E é somente do que dispomos.




Ao primeiro gole, minha alma passou a colorir-se, paulatina. Os olhos se posicionaram novamente em sua órbita habitual e meu cérebro se expandiu até preencher por inteiro a caixa craniana. Eu estava de volta. Para provar a mim mesmo como as pequenas e corriqueiras coisas podem salvar nossas vidas. Levantei-me dali e, restaurado, tomei o meu rumo. Decidira-me a fazer algo. Retomar o pulso. Eu não tinha nenhuma idéia a respeito do próximo passo. Mas decidi dá-lo assim mesmo.




Só retornei para casa bem tarde da noite. Passei a mão em uma mochila e espalhei todo o dinheiro pelo corpo. Liguei para um serviço de táxi e saí de novo. Fui até um centro de compras, aberto vinte e quatro horas, e adquiri dois dos menores, mais leves e mais poderosos laptops lançados até então e instalei-me, ainda de madrugada, em um pequeno e horripilante hotel perto da cadeia estadual.





A festa só acabou por volta das onze da manhã. Dali seguimos para a casa de umas amigas do meu amigo. Elas eram lindas enfiadas em suas roupas bastante diferenciadas dos demais habitantes locais, e recheadas de adereços com motivos infantis. Algumas chupavam pirulitos enquanto outras divertiam-se com chupetas para recém-nascidos. Quando chegamos à casa delas, masturbaram-se na nossa frente e foram dormir.











O Tal do release:




LANÇAMENTO


A Teoria das Sombras
De Lehgau-Z Qarvalho


A Teoria das Sombras é o que podemos chamar de um road-book. O livro trata da história de um personagem que sai de casa em busca de si mesmo, e cai na estrada para nunca mais voltar... ao que era. Em meio a “filosóficos assassinatos”, na tentativa de descobrir quem são os verdadeiros responsáveis pela miséria humana, está, ninguém menos que, o amor. Em companhia da sensibilidade e da paixão verdadeira e abnegada. E sexo. Muito sexo. Seriam realmente esses os elementos que podem tornar a vida, de fato, colorida?!


A Teoria das Sombras é o trabalho de estréia do escritor Lehgau-Z Qarvalho pelos complexos meandros da narrativa longa. Por vezes enveredando pelos caminhos do ensaio, além de oferecer um excelente entretenimento, arrisca, o personagem, também, a lançar “algumas sombras” sobre a era pós luzes.




“Ao primeiro gole, minha alma passou a colorir-se, paulatina. Os olhos se posicionaram novamente em sua órbita habitual e meu cérebro se expandiu até preencher por inteiro a caixa craniana. Eu estava de volta. Para provar a mim mesmo como as pequenas e corriqueiras coisas podem salvar nossas vidas. Levantei-me dali e, restaurado, tomei o meu rumo. Decidira-me a fazer algo. Retomar o pulso. Eu não tinha nenhuma idéia a respeito do próximo passo. Mas decidi dá-lo assim mesmo.”

(Trecho de A teoria das Sombras)





“Lehgau-Z Qarvalho, como todo escritor, faz uma promessa a seu leitor, e essa promessa ele a cumpre, a de contar uma boa história. E ela começa quando o protagonista encontra e se apaixona por Simone, e o ‘de Beauvoir’ não será apenas um acaso. Não vou dizer quando termina, nem o que acontece a esse amor. Procure. Isso não será difícil. É só deixar-se levar pelas artes da literatura que estão, em pleno, neste livro.”

Luiz Antonio de Assis Brasil
(Trecho do prefácio de A teoria das Sombras)





Lehgau-Z Qarvalho é jornalista por formação; artista gráfico por impulso; músico por amor e escritor por compulsão. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul; e renasceu na Internet, mundo.



Contatos:

http://lehgau-z.blogspot.com

lehgauz@yahoo.com.br

Skype: lehgau-z

Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=14292602005679285857




Lançamento em 04 de outubro (2007), às 19 horas, na Palavraria – Livraria e café (Vasco da Gama, 165 – Bairro Bom Fim, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil – 51 3268 4260).


A Teoria das Sombras – De Lehgau-Z Qarvalho – 118 páginas – Oikos Editora




COMING SOON
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Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.
Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Diga Oh, shit, Oh shit, Oh shit, três vezes (o que dará, ao final, nove Oh shit, capice?!). Depois tome um bom banho, escove os dentes, penteie bem os cabelos (se ainda os tiver), fique bem cheirosinho(a), meta um sorriso entre o nariz e o queixo, convide os amigos, a família e a turminha, e vá para o lançamento do livro do Lehgau-Z, no dia 04 de outubro, às 19 horas, lá na Palavraria (Vasco da Gama, 165, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, Connecticut).


Só não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:
eunaoqueromaisreceberessamatériapaga@cancaborrada.com.br,
ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase:
“Muito me agrada o fato de ter algum fato para me agradar”.
Ou
“Eu sou a favor de toda e qualquer teoria que contenha sombras, mas não me pergunte o porquê”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está. (Mas vá para o lançamento do livro do Lehgau-Z, no dia 04 de outubro, às 19 horas, lá na Palavraria (Vasco da Gama, 165, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, Connecticut – Porém, não esqueça, chegue cedo para pegar um lugar bem na frente!).

Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br
Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.
Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal):
“Nem vem que não tem”.

Sem mais delongas (*again*):

Lehgau-Z Qarvalho
– O escritor.
Ottomano Vibe – O divulgador.
O Resto – Saíram todos correndo em direção à livraria mais próxima.



http://khzine.blogspot.com

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut. Jujuínho de 2007.
Edição de número 009
Para ser lida, tida como aguerrida e amortecida logo de saída.
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Periodicidade? Tenha a santa paciência!
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Editorial

Novas descobertas levam os cientistas a inconclusas e descabidas verdades absolutas sobre o poder das BIC

As últimas décadas foram recheadas de informações desencontradas sobre o real poder das terríveis canetas/sondas alienígenas Bic. Hoje, nada mudou. Porém, como temos de preencher este espaço com alguma opinião - ou fato ou teoria – desavergonhadamente bombástica, para que os leitores se interessem mais e mais, e se escandalizem mais e mais, e consumam mais e mais e nós tenhamos lucros sempre em uma linha mui ascendente nos gráficos de percentuais da vida monetária da empresa (grosso modo: “mais cascaio pra metê um rango bom e trocá de carro todo ano a mandá vê cá muierada!”), apresentamos aqui, em primeiríssima mão, fatos comprometedores, ao longo da história, que indicam claramente que as canetas Bic são, sim, enquanto sondas, artefatos extremamente perigosos e nocivos aos seres da espécie humana, posto que vêm de um planeta distante chamado PUTZ... (som que os seres humanos emitem ao verem suas roupas e demais pertences com aquela famosa mancha escura que jamais desaparece de onde está, causada pela - atente-se para o termo - explosão gratuita do conteúdo das conhecidas cargas plásticas, e que nem Omo Progress Total, ou mesmo Vanish Poder O2 Max, conseguem remover):

O motorzinho dos dentistas foi inventado em 1872 por Morrison। Era um motor a pedal. O motor elétrico e seu “barulhinho bom” apareceram em 1899, aperfeiçoados por Bicson.O primeiro supermercado surgiu nos Estados Unidos em 1879. Mas os carrinhos de supermercado só foram aparecer no ano de 1937. Nesse ínterim, como as compras eram transportadas?A técnica fotográfica que registra em três dimensões qualquer objeto, chamada de holografia, foi inventada em 1948 pelo físico húngaro Dennis Gabor, ganhador do prêmio Nobel de física em 1971. O que nada tem a ver com o assunto.



Conjugando a Orkutaria

Eu fuço
Tu fuças
Ele fuça
Nós Fuçamos
Vós fuçais
Eles reclamam




Desabafo de um compulsivo em pleno ato de (de)regeneração
Por Johnatãn H.D.L.



A partir de hoje comerei o pão que o diabo amassou (mas só duas porções e bem mastigado); com leite desnatado ou iogurte light com granola e fruta.

Almoçarei a xepa do capeta (mas com uma colher de chá de azeite de oliva – UFA!).

Farei o lanche da tarde do zarapelho (mas com meia porção de CARNEEEE!).

Comerei a janta do sete-barbas (mas com vitaminas “A” e “B”, à-von-ta-de!!!)

E apreciarei a ceia do mofento, já pensando na próxima refeição, e no fato de que tudo é uma questão de manter: a mente quieta, a espinha ereta e o estomago tranqüiiiiilo.



Quando achamos que nada mais pode nos acontecer, aí é que nada acontece.




Em 1525, Galeão mesmo é o San Gabriel
Por Carrie Djhó

Os primeiros pingos grossos de chuva do temporal que viria logo a seguir, precipitam-se, fazendo pequenas marcas concêntricas na água salgada; tais quais formosas celulites em uma grande e gorda nádega feminina। Dom Rodrigo de Acuña ordena ao timoneiro que gire o timão do Galeão San Gabriel em direção a baia que ali se apresenta; tal qual mãe na hora do aperto, como porto seguro.


Após ter zarpado da Coruña, na Espanha, a idéia é rumar para Molucas, conforme plano traçado na esteira de Fernão de Magalhães (mas que falta de imaginação!). Mas, com o destino sempre a pregar peças, desde nos mais incautos até nos que dormem com um olho aberto, Dom Ro-ro (para os íntimos) é levado pela ira da natureza até as areias branquinhas da praia, para, sem ter a mínima noção, fazer companhia para o índio Carijó, pertencente à tribo dos Guaranis.

Dos nativos
Tido como homem simples e de caráter pacífico; alimentando-se da caça, da pesca e dos produtos naturais da terra e possuindo também pequenas plantações de verduras e raízes (das quais se ocupam as mulheres) os Carijós moram em tabas ou aldeias, que contam de 30 a 80 cabanas, e, para o azar de nosso herói, possuem também uma fábrica de espelhos.

É, 1525 é um ano que promete. Sem dúvidas que sim.




Nota contra o olvidamento

"Comprar Ajax, Omo Balance, pipoca de micro-ondas e uma carteira nacional de habilitação", anotou Fran.




E lembre-se:
Se já assadura, imagina depois de bem sovada?!





Mimi-tolo-gia de alcova

"Papai, eu matei a mamãe (mas ela continua viva)!". Disse Édipo, o complexo pimpolho.




Receita para fazer alguém emagrecer dormindo
(Método infalível!)

Bater na cabeça do imbecil até ele entrar em coma (cuidar para não levar a óbito). Levá-lo ao hospital mais próximo alegando que o elemento foi atropelado (para evitar aborrecimentos com polícia e instituições penais). Tomar as devidas precauções para que o indivíduo retorne do coma em, no mínimo, três meses.






Fru-fru-losofia de corredor

“Quem nasceu para Rexona jamais chegará a Dove?”.



Dona Gessi Lehver Silva da Silva





Dedepopoimento de uma vivítima dodo memedo

“Eu sou constantemente atacada por batatas fritas furiosas e suicidas. Elas chegam sorrateiramente, me encurralando num canto, ameaçando espirrar óleo quente em mim, me fazem abrir a boca e pulam todas dentro dela, uma a uma... Algumas vêm munidas de sal, que elas, sádica e masoquistamente, salpicam em si mesmas, antes do mergulho fatal... Eu já não agüento mais!!!! Mamãe, me salva!!!!!!!!”



Liliam Kikuchi (mulher e oriental)





Histórias de salão (de beleza)

Natasha tinha dois couros cabeludos. Um para todo o dia e outro só para os sábados. Natasha não nasceu assim. Natasha pegou emprestado um deles e nunca mais pode devolver.




E lembre-se:

“Feliz é o que você vai perceber que era, algum tempo depois.”


Millôr Fernandes




Questões que afetam deveras a humanidade
(Depois daquela última semana antes do final do mês, é claro)

“Se Edgar Allan Poe, quem diabos vem Kafka e tira?”



Lehgau-Z (e seus óbvios ululantes)





Entendendo o Orkut
Microdicionário de termos relativos ao supracitado


Scrap: fragmento, partícula, pedaço, recorte, despedaçar, borrifar, excluir, fanfarronar, xarope, chá das cinco e quarenta e sete, bola de algodão com detalhes em chumbo, estupor, balela, invenção, acianoblepsia, furúnculo no dedão do pé esquerdo.


Post: poste, posto, pilar, pós, cargo, correio, emprego, estaca, montante, morrão, ofício, guarnição, unha encravada, jabaculê, que chante le coq gaulois, ad matutinum, ô châteaux, pirlimpimpim, catuaba da índia, fofolete, bastão de gengibre.






Sobre o ato de aleijar árvores
(E ainda achar bonito)

De certa feita eu conheci um bonsai. Seu nome era Hsai, Bonn Hsai. Ele era calmo, tímido e calado. Vivia em seu canto, próximo da janela, pegando um solzinho vez ou outra.

Em uma cinzenta manhã de domingo, um pouco antes de a tempestade chegar, sob as luzes dos raios e ao som dos trovões, Bonn Hsai se transformou em um mausai; e trucidou toda a família a golpes de tesourinha de poda, canivete suíço e alicate de unhas.






Mas afinal, para que servem os dedos dos pés?

Muito se tem discutido a respeito da real serventia dos dedos dos pés. No último Congresso Mundial de Dedística Podológica Aplicada, os cientistas, após muitos chutes e pisões nos dedos mindinhos uns dos outros, concordaram sobre a serventia dos dedos dos pés (além do já consagrado ato de pegar coisas no chão sem precisar se abaixar), ao menos, nos seguintes quesitos:


*para os cães lamberem;


*para dar beliscões nas batatas das pernas (panturrilhas) dos outros;


*para desligar o estabilizador do PC;


*Para coçar a outra perna;


*Para dar emprego a milhares (quiçá milhões) de pedicuros, podólogos, podiatras e calistas em geral;

*Para tirar a meia de um pé com o outro (sem precisar usar as mãos);


*Para serem ornamentados e admirados;

*Para aumentar a raiva (em dias de muita ira), batendo-os (em especial os mindinhos) nos cantos e quinas de mesas, cadeira e demais utensílios domésticos;

*Para abrigar as frieiras (pé-de-atleta, etc.);

*Como fetiche sexual (horário impróprio para maiores comentários);

*Para segurar as Havaianas, evitando que elas escorreguem para frente e desprendam-se do pé;

*Para evitar contusões, narizes quebrados ou a queda ou apodrecimento dos dentes, dando equilíbrio durante o uso de sapatos de salto agulha (ou de qualquer outro tipo), evitando que seus usuários, literalmente, capotem para frente, estatelando-se de cara no chão;


Ah, e para doer também, quando as unhas encravam e infeccionam.





The secret: o segredo

A porta não estava trancada. Caminhou até o seu antigo quarto. As bonecas. Os bichos de pelúcia. Almofadas de renda rosa. Pôster de sua banda predileta. As sapatilhas gastas dependuradas na parede. Tudo lá. Intacto. Tentou chorar, mas já era demasiado tarde. Andou até o quarto dos pais. Remexeu as gavetas. Fotos. Paletós. Gravatas. Roupas de baixo. Canetas. Papeis. Antigos receituários. Vestidos. Jóias. No banheiro: coisas do gênero.

Dirigiu-se então para a cozinha. Muita louça suja na pia. Garrafas de vinho vazias esparramadas perto do cesto de lixo. Baratas correndo soltas pelo chão. Cheiro de carne podre.

Puxou uma cadeira de lado, esbarrou em um enorme e cinzento rato. Soltou um pequeno grito abafado. Com a mão sobre a boca e o nariz, afastou um pouco a mesa. Mais dois roedores. Pequenos. Muito alvos. Todos mortos. Voltou correndo para o banheiro e vomitou vinte e oito anos de vida.


Mas, como nem tudo está perdido: havia, sim, no armarinho do banheiro, atrás do espelho, um tubo gigante de Listerine a sua espera.





Édipo sai do palácio (e encontra Jocasta Alice)
Por Sófocles, Carroll e Lehgau-Z


ÉDIPO - Nada tens a gemer. Mesmo se eu me revelasse filho e neto de ex-cravos, tu não serias geléia por isso.

JOCASTA ALICE - Pára, eu te publico, reedita para mim.

ÉDIPO - Não te reeditarei, quero saber a linguagem.

JOCASTA ALICE - Sei o que é figo. Meu joelho é bombom.

ÉDIPO - Teus bombons joelhos acabam por me espernear!

JOCASTA ALICE - Ah! Que jamais possas comer com os pés!

ÉDIPO - Quando é que me trarão enfim esse castor?! Deixemo-la orgulhar-se de sua rica pelagem.




Eu vi Zorba, o grego. Vestia Cavalera. Sinal dos tempos?

Não terias tu, em verdade, visto Borba, o gato? Ou, talvez, o gato de borbas? Ou, ainda, o gato de Zorbas? Ou, quiçá, ainda, ainda, as botas do diabo? Se assim o for, devolva-lhe já, e acabamos logo com isso!






Por quem os sinos dobram

BLOOM - Estavas às escondidas? Só pelos subterrâneos? Qual era tua tarefa? Que espécie de vida levavas?

BLÉIN - Na maior parte do tempo conduzia a pastar os rebanhos.

BLOOM - E a que regiões, geralmente, costumavas ir?

BLÉIN - À região de Citéron, ou às regiões vizinhas.

BLOOM - E te recordas de lá ter conhecido este homem?

BLÉIN - Mas que fazia ele? De quem falas?

BLOOM - Deste que aqui está. Tu o conheceste? Sentiste saudades?

BLÉIN - ...












Sobre o surgimento de “certos hábitos” dentre nós, os humanos


Um certo homem, que perdera quase todo o seu dinheiro, resolveu partir com o pouco que lhe restava, viajando mundo afora. E o primeiro lugar em que chegou foi um vilarejo onde os jovens corriam de um lado ao outro com exclamações e gritos.

“O que houve?” Quis saber.

“Vê!” Responderam-lhe. “Apanhamos uma lesminha e a obrigamos a dançar para nós. Olha para ela, como é engraçada! Como salta de lá para cá!”

O homem apiedou-se da pobrezinha e ofereceu:

“Pagarei para deixarem-na ir।”


Deu-lhes então uns trocados e perguntou a ela:


“Qual o seu nome?”


Ao que respondeu ofegante, porém satisfeita, e utilizando-se de todo o seu charme:


“Scargot, meu senhor!”


E assim, juntando 04 alcachofras frescas; 01 limão; 250g de manteiga com sal; 04 dentes grandes de alho bem esmagados; 04 colheres (sopa) de salsa fresca picada; 01 colher (café) de sal; 01 colher (chá) de tomilho fresco picado (ou a metade da medida dele seco); ele comeu-a no jantar।




E lembre-se:
“Esse privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar pertence apenas aos reis, às prostitutas e aos ladrões.”

Honoré de Balzac




Da rima rápida e rente
Para Mademoiselle Valentiná

O esquilo valente roeu o batente; caiu de repente e quebrou um dente; virou indigente e muito carente; e de tão deprimente, bebeu solvente; de convalescente, sentiu-se urgente; encontrou na rima a sua vertente; apaixonou-se por tudo perdidamente; e foi quando arrumou uma confidente; e com ela teve particularmente; e embarcaram, os dois, em uma estrela cadente; e desejaram que a rima fosse onipresente; até que um dia, com um cansaço na mente, pediram que a rima, mais que doente, só ocorresse eventualmente; e assim, do nada, meio inconsciente, tudo voltou normal.



Filosofia de All Mario
Por Mario Quintana

*Definição de autodidata:

“Ignorante por conta própria.”




Streptoconto
Por Lehgau-Z (e seus componentes dispensáveis)

Morria todo dia; desde que nasceu।




Pós-modernidades
Ele possuía apenas duas certezas: uma, a de que não possuía certeza alguma; a outra... Bem, a outra de que já não tinha mais tanta certeza.



E lembre-se:
“Não deixe para amanhã o que você pode fazer ontem.”


George Peru
(Que infelizmente não viveu o suficiente para ler o seu próprio pensamento).






Os Mento: uma microssaga venérea
(Microconto vencedor do I Concurso Internacional de Microcontos da Contistas Interativos)
Por Lehgau-Z (e seus lóbis implorantes)


No princípio era só Ju Mento; que se encantou com Acasala Mento; afastando-se ambos do bom e velho Julga Mento, primeiro tiveram Corri Mento e, depois, Sofri Mento; e então veio o terceiro: Ele Mento; trazendo consigo Excre Mento, Bani Mento e, por fim, Aniquila Mento।




Seção folhetim

Clayton, o cominho
Capítulo 05


Segue-se, portanto, os preparativos para a grande festa de casamento da princesa Hipotenusa com Clayton, cominho e plebeu. Os pais da princesa mandam trazer da Etiópia oitocentas crianças para compor o bolo vivo. Mediante o protesto de alguns membros conselheiros da corte (que teriam de lavá-las e vaciná-las antes, a fim de evitar maiores dores de barriga nos convidados mais sensíveis), o pai da princesa Hipotenusa afirma com voz doce, porém firme: “elas jamais teriam chance de fazer algo mais útil e esplendoroso em suas breves e insignificantes vidinhas mesmo!” E assim todos concordam enternecidos e passam a ocupar-se da certificação da qualidade do vinho.

Na manhã do derradeiro, Clayton é enviado para a pet shop mais chique da cidade para tomar banho, aparar as sobrancelhas e ser submetido a uma rigorosa conferência a respeito de sua circuncisão. A princesa Hipotenusa, por sua vez, banha-se com sangue de crocodilo maltês misturado a um concentrado de Artemisia absinthium. Os cabelos são tingidos com Q-suco de groselha, limão e uva caribenha; as unhas são pintadas com esmalte Colorama, nas cores rosa antigo, abóbora, nu, mousse de samambaia, crepúsculo egocêntrico, fungo e leito ungueal hemorrágico; nos dentes são incrustados pequenos diamantes sírios e, nas partes pudendas: licor de óleo de rícino com catuaba do agreste pernambucano.



Enquanto isso, ao roer uma unha e cuspi-la em direção a uma panela onde cozinha moela de galinha com páginas alternadas de clássicos da literatura mundial, e verdades descritas no interior da revista Seleções do Reader's Digest, o Doutor Sinclair descobre que produzindo o processo inverso ao da fabricação do esmalte de unhas, pode obter nitrocelulose - um explosivo originado ao se fazer as fibras de celulose (retiradas do algodão ou da madeira) reagirem em uma solução concentrada de ácido nítrico. Após a ebulição, a nitrocelulose torna-se solúvel nos solventes orgânicos e, depois da evaporação, deposita-se em uma película dura e brilhante chamada de laca, de onde, com a adição de corantes, adquire-se o famigerado cosmético.



A partir daí, o Doutor Sinclair pensa ter conseguido concentrar um poderoso poder de barganha em suas mãos e, assim, passa a escrever, frio e obstinado, sua carta de intenções aos governos das principais potências mundiais. A carta começa assim: MUAHAHAHAHAHAH...

(...)



E lembre-se:
“O humor compreende também o mau humor. O mau humor é que não compreende nada.”



Fillôr Mernandes


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Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.
Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Diga “aaaaa”; diga “beeeeee”; diga “c”, “d” e “eeeeeeee”. Em seguida, apareça quando tiver de aparecer, e, se desaparecer, avise para não parecer que desapareceu sem antes ter aparecido parecendo que desapareceu próximo ao ato de aparecer parecendo algum tipo de desaparecimento. Logo, termine o fim de um novo começo, para recomeçar um novo final reterminável, para, só assim, refinalizar o que ainda não começou.

Ps: Tudo isso enquanto pessoa, é claro... Ou enquanto cão... ou, ainda, enquanto larva... Ou anchova... Sei lá!

Só não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:
eunaoqueromaisreceberessapachecada@cancaborrada.com.br,
ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase:

“Eu sou contra o ato de ser abduzido com o intuito de tornar-se personagem de uma história de cunho eminentemente nonsense”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está. (Apenas não faça nada que venha ou possa ser usado contra você em uma reunião de idiossincráticos escamoteáveis de prolongamentos filiformes artrópodes. Obrigado!).

Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br


Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.
Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal): “Nem vem que não tem”.

Sem mais delongas:
Lehgau-Z Qarvalho – O sujeito.
Ottomano Vibe – O verbo.
O Resto – Mero bando de substantivos.



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Sábado, Junho 02, 2007

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut. Mormarço de 2007.
Edição de número 008
Para ser lida, carcomida e tida como corrompida logo em seguida.
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Periodicidade? Valha-me Senhor!
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Editorial

A comovente história de Elisângela

Elisângela nasceu às 7h08 da manhã no hospital Bay City Mercey na cidade de Bay City, Capivari de Baixo, Connecticut. Seus pais viviam em Pontiac, subúrbio de Detroit, no Piauí, mas a mãe de Elisângela tinha decidido visitar a avó em Bay City nos dias próximos ao seu nascimento (o que, de fato, não interessa nem um pouco). Caçula de quatro irmãos (Martin, Mario, Christopher e Anthony) e três irmãs (Melanie, Paula e Jennifer), Elisângela foi sempre a oitava filha. O oitavo elemento. Elisângela (que, em latim plutárquico, significa “a que vem depois do sete e antes do nove”) poderia, sim, ter sido a primeira se, e somente se, tivesse nascido antes de todos os outros. Ou, ainda, se a ordem dos fatores alterasse o produto e a maldita fórmula de Bhaskara jamais tivesse sido inventada (o que mais se poderia esperar de alguém com um nome desses).

Elisângela passou a sua infância em Pontiac, Saco da Alemoa, Connecticut, e mais tarde em Rochester Hills (outro subúrbio de Detroit – na Boçoroca). Criada dentro das regras e padrões sociais mais austeros e moralmente corretos, Elisângela teve uma educação muito rígida. Porém, ainda com tenra idade (aos nove anos), ao ver um caminhão de frutas e verduras que passava por sua cidade, Elisângela, emocionada, teve certeza do que desejava para o resto de sua vida: queria ser uma berinjela.

Contra a vontade do pai, Elisângela passou a estudar tudo sobre o fruto da Solanum melongena, uma solanaceae arbustiva, anual, originária da Índia, considerada de fácil cultivo nos trópicos. E então, no mesmo dia em que completou dezoito anos e com apenas trinta e cinco centavos no bolso e muita garra e determinação, mudou-se para New York com o objetivo de alcançar o seu grande sonho.

Lá trabalhou em diversos cafés e restaurantes como torta de sabor agradável. Foi vendida em pó como fitoterápico. Foi cozida, frita, assada, grelhada e até empanada. Foi guardada dentro de frigoríficos, em sacos plásticos, por até duas semanas. Conheceu tomates, pimentões, cebolas, azeitonas pretas e pimentas de todo o tipo e de todas as partes do mundo. Trabalhou como acompanhante de carnes grelhadas e assadas. E, por fim (como se diz) entrou para o vidro de vinagre.

Contudo, começava a dar uma guinada em sua vida (posando nua para fotos em revistas de “arte” culinária), quando, em um belo dia de sol e não mais que de repente, caiu nas mãos de um conhecido, respeitado e habilidoso Chef de Cuisine que, sem o seu consentimento, e para retirar o gosto amargo que a caracterizava, cortou-a ao meio, esfregou-a com sal e escorreu-a, deixando-a (pasmem) aberta e coberta com água e sal, limão e vinagre, durante, ao menos, quinze minutos. Escorreu-a em seguida e secou-a com papel absorvente. Logo após, juntou-a a três ovos batidos (como se fossem para fazer uma omelete), acrescentou salsinha, cebolinha, orégano, sal e pimenta do reino. Em um refratário, colocou as duas metades de Elisângela lado a lado no fundo, depois cobriu-as com os ovos batidos, colocou presunto e, por último, mussarela. E, como se não bastasse, levou o suflê ao forno para gratinar. Tudo em frente às câmeras de televisão.

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E lembre-se:

“’Essa história é muita estranha, Poole. É uma história maluca meu bom homem’. Disse Mr. Utterson, roendo uma unha.”

Robert Louis Stevenson (Médico e monstro)



“A tradição é a personalidade dos imbecis”

Albert Einstein (Físico e linguarudo)



"U cão foi quem butou pa nóis bebêêê!”

Mc Jeremias (Cabra homem e esponja)




Nanoconto
Por Lehgau-Z (e seus mequetrefes voadores)


Tinha o dom da palavra; mas não tinham o dom da leitura.




Depoimento de um neto de advogados

“Os meus avós eram bem legais!”





Historinha para fazer a vovozinha dormir

Pois os meus avós também eram bem legais. Minha avó, quando eu possuía entre três e quatro anos de idade, tinha o costume de me acorrentar em uma cadeira por uma semana sem comida nem água, enquanto chicoteava sem perdão meu avô que uivava de prazer por dias e noites sem parar, bem na minha frente. Depois, ela recolhia o sangue das costas do meu avô com um pano de chão, torcia o pano dentro do prato de comida do Rex, nosso cão Pastor Alemão, e dava para eu comer. Lembro como se fosse hoje.


O tempo foi passando e eu cresci, sempre nutrindo um amor incondicional por meus avós. Amor este que aumentava a cada dia. Até que, em uma inspirada época de minha vida - eu andava dado a novas experiências - resolvi deixar o Rex sem comida por uma semana.

Em uma noite esplendorosa de verão, meus avós sumiram sem deixar vestígio. Foi uma pena. Chorei por dezessete minutos e quarenta e dois segundos e, em seguida, fui ao cinema.


O Rex passou mal naquela noite.




Disse o gramático ao pai de santo:

“Retire a tal mandinga agora mesmo seu, seu, seu... Adjunto adnominal seguido de uma locução interjetiva!”



Da felicidade:

“Para ser feliz, na verdade, você precisa apenas de uma boa redução na taxa de juros.”



Millôr Fernandes




Po & Cia.

Despencadela
Por Lehgau-Z (e seus contos de fadas errantes)


E então a Cinderela
Quebrou o salto do sapato
E caiu na passarela

Coitada dela
Sonhou tanto com caviar
E agora só no pão com mortadela




Actus limitatus limitantum producit effectum

Sai da capela enfezado. Caminha até o degradante mais próximo. Senta-se a uma mesa de canto. Faz sinal para o garçom. Pede uma dobradinha para dois, feijoada tripla com salada de repolho, meia dúzia de ovos em conserva e uma Coca-cola de 600ml fora do gelo. Entope as duas narinas com guardanapos e devora tudo sem piedade.

Quarenta minutos mais tarde, caminha debaixo de um escaldante sol de verão tropical por quase uma hora. Nas mãos: a garrafa pet de Coca-cola 600ml ainda com o lacre intacto. Sacode bem a cabeça. Balança com força a barriga. Segue de volta ao velório.



Gozava de boa saúde, é bem verdade. Porém, cabisbaixo andava por falta de uma perspectiva qualquer. O rosto corado; a conta bancária adiposa. Mas o mundo a pesar-lhe mais que para o Criador (que, deveras provável, anda repensando seus valores desde há muito e, não tenhamos dúvidas, encontra-se seriamente arrependido).

Bastou cruzar na rua (no sentido de passar por, é claro) com Adelaide, e sua vida refloresceu; tomou fôlego; sacudiu a poeira; caiu na gandaia (não a do Criador, por obvio). Em menos de duas semanas estavam casados.

Sim, Adelaide era o que bastava. Adelaide era boa em tudo. Cama, mesa e banho. Ele comia bem, comia bem (e isso não é um erro de digitação), conversava, ria, contava piadas, divertia-se a valer nos braços de sua amada. Fora feliz.

Até o dia em que... Adelaide bateu as botas; escafedeu-se; juntou os tornozelos; vestiu o paletó de madeira; montou em lombo de urubu.

E, para piorar a situação, em pleno velório, descobriu que Adelaide (aquela cachorra) tinha um bimboso; um Rica; um biscate; um mancebo de hora extra; um tiro de escape; um dileto batota; um truta à provençal. O comentário não era outro nas dependências do sepulcrário.



De repente, entre choro e ranger de dentes, ouve-se um ptsssssssss; seguido de perto de um glub, glub, glub; e, em seguida, um SCRACCCCAAAAAPOOOOOUUUUUUU... Blrourbs, sblarssssstb...

Ninguém sai ferido. Mas tudo têm de ser lavado com muita água sanitária e Creolina. Inclusive a defunta e suas mais novas instalações.



Dia seguinte: novo velório.





Batatas que lhes quero fritas
Por Sal Gahdinhas


As batatas fritas foram feitas pela primeira vez na Bélgica, em 1876.

Mais precisamente no verão. Em uma abafada noite de quarta-feira. Nevava. Era mesmo uma noite estranha.




Crônica de armário

“Sia Rosaura tirava a dentadura para comer
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua”.


Mario Quintana




Po & Cia.

Capital parnasiano
Por Lehgau-Z (e seus atributos indistintos)

Lima, lima, sofre
Pra pagar o cartão de crédito
Rima, rima, pobre
Dicionário custa caro






Lógica gratinada

A verdade sobre os queijos suíços

Queijos suíços têm buracos! Quanto mais queijo, mais buracos.Quanto mais buracos, menos queijo.Quanto mais queijo, menos queijo!





Geometrismo político: abrace essa vertente você também

“Sem querer verticalizar o debate e nem, contudo, horizontalizar-me com nenhuma paralela, asseguro que costumo escrever torto por linhas curvas, porém, mantendo a conduta em ângulo reto.”


Alceu Gráhfico


Opipinião

“Escritores são egocêntricos por natureza. Se não fossem assim, teriam escolhido para suas vidas algo que pudesse ser feito em equipe; como jogar futebol ou assaltar bancos.”


Lehgau-Z (e suas acnes amarelantes)



Mentiras de comer
Por Ju Juhba

“E quando homem; seria eu, a criança, a te venerar e amar incondicionalmente, sentindo-me protegida por estar contigo. Sentaria em teus joelhos e, me pendurando em teu pescoço, te faria mil perguntas, as quais, você responderia com deliciosas mentiras... Do tipo: Dom Pedro I descobriu o Brasil; o importante é competir; ou, ainda, a guloseima chamada de ‘Nhá Benta’ não contém inerente preconceito em sua constituição, denominação e conduta.”






O Mistério do pote de ouro no fim do Arco-íris
(Extraído do diário de Bart Leby, o detetive)

“Enrolado embaixo de sua mesa, encontrei um cobertor; sobre a grelha da lareira vazia, uma lata de graxa e uma escova; numa cadeira, uma bacia, com sabão e uma toalha áspera; num jornal, migalhas de bolo de gengibre e um pedaço de queijo. Sim, era evidente o que estava a ocorrer ali.”


Conclusão: “Prefiro não dizer.”




Po & Cia.

All Mario
Por Lehgau-Z (e seus Qarvalhos debochantes)


Eu não escrevo para a Maria de cada dia.
Eu não escrevo para o João cara de pão.
E nem para você, que está com este jornal na mão...
E de súbito descobre que a única novidade é a poesia.

Não, eu não escrevo para o João e para a Maria.
E por isso as minhas palavras não são quotidianas.
Um poema não pertence ao tempo, um poema.
Se existe hora, é sempre a hora extrema.

Eu não escrevo no ônibus ou na praça.
Nem para o Mario por graça.
Escrevo para o meu próprio regozijo,
Por amor, dor e por pirraça.

Escrevo por escrever.
Para me manter ou coisa dada.
Escrevo para se ler.
E por não saber fazer mais nada.





Cricrítica

“O legal deste estilo ‘milloriano’ é que os leitores sempre se dividem entre os que acham que entenderam e os que têm certeza que não entenderam.”


Henry Alfred Bugalho





Mão leve; mas traga
(Pequena história esquizofrênica da identidade)

Pensei que tudo estava indo bem, quando fui visitado por um estranho de aparência perturbada perguntando-me se eu era eu mesmo. Respondi que sim, eu era eu, e mais ninguém. Então, dando de ombros, apresentou-me seu documento de identidade. Ou, melhor dizendo, o meu documento de identidade. Ou seria o nosso? (Onde deixei os malditos comprimidos?).




Simples assim

“Era acendefogoahora e os plantuosos taxugantes / Girandavam e furandavam na passerva / Todos infláveis os burugaves / Foralar os xularecos dentafiavam / (...)”


Charles Lutwidge Dodgson




Só máximas, semínimas

“Já nascemos pré-cozidos e embalados para viagem. Não há escapatória. ‘Arte Marginal’ é só mais um elemento acrescentado ao rótulo para atingir um segmento específico de mercado.”



Lehgau-Z (e suas opipiniões saltititantes)





Crônica de armário II

"Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e secos chamados mentirinhas."



Mario Quintana




Po & Cia.

É o que é
Por Lehgau-Z (e seus cominhos mutantes)


Poesia quando nasce
Espalha tinta qual borrão
Poetinha quando dorme
Estômago ronca de montão







Seção folhetim

Clayton, o cominho
Capítulo 04

O Doutor Jaderson Sinclair pensa em largar tudo e montar uma pousada no Nordeste. Mas, por um estranho motivo que até mesmo ele desconhece, torna-se presidente do fã-clube oficial dos Selta E-B e acaba por envolver-se com a cadelinha de uma groupie chamada Brigitte Bardot.

Confuso, sem saber se Brigitte Bardot é o nome da cadela ou da dona, casa-se com as duas e vai viver em um local ermo chamado Ermo (próximo a um local turvo chamado Turvo e vizinho de um município sombrio chamado Sombrio). Lá faz uma grande descoberta que muda de vez a sua vida (a dele, é claro). Descobre o real significado da máxima timaiariana: “Tudo é tudo e nada é nada”. Sua vida (a dele, é claro) toma, assim, um novo rumo e ele passa a se dedicar em tempo integral à física quântica.

Clayton, por sua vez, envolve-se com uma tigela de arroz que passa a mexer os pauzinhos até ele brigar com os demais integrantes da banda e, por conseqüência, em sessão solene, anunciar: “De brim, pulôver”.


Na semana seguinte o pulôver feito todo em jeans vai parar nas passarelas da Semana Week da Moda Fashion e estoura no mundo todo como tendência para a coleção outono inverno. Clayton alega que a idéia não fora devidamente creditada a ele, fazendo as bolsas de valores despencarem. O colapso atinge a todos, sem distinção de raça, credo, cor, religião, opção sexual, número de verrugas espalhadas pelo corpo ou preferências por muffins de cerejas quadradas de Nagasaki ou de romãs, gengibre e alcaçuz das Ilhas Canárias.

Perseguido por todas as Máfias existentes no mundo, todas as religiões, todos os governos, Organizações Não Governamentais, equipes esportivas, sindicatos, rodas de samba e até entidades sem fins lucrativos, Clayton cai em desgraça total, geral e irrestrita. Não tendo mais para onde ir, pede ajuda ao primeiro que vê na frente que, para a sua sorte (a dele, é claro), ou não, é Wilsonei Scrooge, o estelionatário.



Assim, poucas horas depois, na suíte do hotel Lancaster, em Paris: um Buda verde; um ogro fumando charuto; um Júpiter tonitruante; um pacote de Ruffles, a batata da onda (com um toque de sal, azeite de oliva, orégano e mel) – eis Wilsonei Scrooge. Ao seu lado, disfarçado de cão de crista chinês com elefantíase, Clayton, o cominho, babando e rezando para não ser reconhecido.

É quando adentra o recinto um Tal de Bernstein, homem de muitas posses e qualificados contatos. Clayton se vê obrigado a latir. Late uma, duas, três vezes, mas na quarta latida toma um pára-te-quieto no pé da orelha que o faz soltar um desmedido e denunciador impropério. Em seguida solta outro deslustre e tenta sair pela tangente, mas esquece dos catetos e da Hipotenusa (a princesa obesa e seus guarda-costas) filha do Tal de Bernstein.

Sim, é bater e valer, a Hipotenusa apaixona-se perdidamente pelo “cão falante” e seu pai o compra das mãos do Senhor Scrooge pela irrisória quantia de dois milhões de patacas escusas. Viajam naquela mesma noite para Dublin onde a moça lhe propõe casamento. Clayton ensaia um rosnadinho besta, mas a pretendente arranca-lhe dois caninos e um pré-molar com uma bofetada, obrigando-lhe a dizer: “ssssim, acccceito”.


(Se vá a continuaire...)










E lembre-se:
Melhor dois pássaros voando do que uma intimação do Ibama na mão.






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Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.
Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Diga Bellis Perennis Callistephus Chinensis Diplectrum Formosum por 387,8 vezes, em alto e bom som (utilizando-se, preferencialmente, dos modos lídio e mixolídio em intervalos variados, mutantis mutandis, alegro non molto); em seguida engendre um lindo origami com o formato que preferir e, tendo pintado as unhas de preto, tome um chá de Chamaemelum nobile pontualmente às 5h12min de uma manhã úmida e cinzenta de quarta-feira.
Não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:
eunaoqueromaisreceberessaxaropada@cancaborrada.com.br,
ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase:
“Eu sou a favor da lei da gravidade”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está. (Apenas faça cara de inteligente. Obrigado!).


Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br





Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.
Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal): “Nem vem que não tem”.

Sem mais delongas:
Lehgau-Z Qarvalho – O Pen.
Ottomano Vibe – O Taylor.
O Resto – Mero bando de chatos.



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Domingo, Março 11, 2007

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.


Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut. Jájaneiro de 2007.
Edição de número 007

(juramos que não foi intencional)

Para ser lida, condoída e tida como descabida logo em seguida.
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Periodicidade incômoda!
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Editorial

Nós da redação deste humílimo veículo de desinformação chamado KHzine, apresentamo-nos, por meio desta franciscana mensagem editorialesca, profundamente enternecidos e despojadamente envaidecidos com deveras manifestações de afabilidade, atenção e assaz alento para com estes pobres escribas ao final do ano que se encerrou.

Iniciando um 2007 recheado de “quiçás”, gostaríamos de abrir os trabalhos informando nossas mais densas e secretas desconfianças sobre o sentido e a origem da vida. Lançamo-nos, para tanto, por dias tão contundentes quanto aduncos, em uma solitária expedição por túneis e riachos de duvidosa propensão odorante, em busca da verdade primeva.

Nossa teoria é a de que somos, todos nós, oriundos de uma substância de coloração escura e denominada por uma repetição silábica formada, possivelmente, por um vocábulo onomatopaico.










E lembre-se:
"Todo homem anseia por conhecer algum lugar distante. E assim que chega lá seu primeiro desejo é voltar."


Henry Ford




Sobre escritores, leitores, detentores e desertores
Por Millôr Fernandes

Não ligo se o escritor
É leviano ou denso,
Nem me importa se o livro
É pequeno ou imenso
Eu gosto é de autor
Que só pensa o que eu penso





Coisas que você jamais deveria saber, mas nós fazemos questão de lhe informar
Por Nicohlau Cachahço de Hespihrito

A origem do termo “bebê” vem do apelido “Bébé”, do anão francês Nicolas Ferry (1739 – 1764), que ficou famoso na corte de Estanislau Leczynski, o qual tinha sido rei da Polônia. Depois de ser obrigado a abdicar do trono, e por ser sogro de Luiz XV, ficou com a soberania sobre duas regiões da França: Barrois e Lorena.

Foi nesta corte que se tornou famoso o anão Bébé, apesar de ter morrido cedo, com vinte e cinco anos de idade. Bébé nasceu com apenas vinte e quatro centímetros de comprimento – costuma-se dizer que seu berço teria sido um tamanco forrado com lã.

Aos quinze anos Bébé não passava de setenta centímetros de altura. Na França, criança recém-nascida se chama “bébé”, exatamente a mesma grafia do apelido do anão.




Praga iraquiana rogada aos habitantes da White Bang Bang House
Enviado por Mary Days

“Que as pulgas de mil camelos infestem os fundilhos daqueles que tentarem estragar o meu dia e que os braços deles sejam muito curtos para coçar.”




Sendo assim, que assim seja
Para Anapompa

O Universo tem, conforme a astrofísica, mais de 15 bilhões de anos. O Sol é apenas uma das mais de 200 bilhões de estrelas de nossa galáxia. Em uma noite de céu aberto e sem lua pode-se contar até 2.500 estrelas a olho nu. O Sol fica a 30 mil anos-luz do centro da Via Láctea. Um ano-luz equivale a simplesmente 9.460.500.000.000 de quilômetros. A Via Láctea tem uma extensão aproximada de 100 mil anos-luz (algo em torno de 950 quatrilhões de quilômetros). Os cientistas calculam a existência de mais de 100 bilhões de galáxias como a Via Láctea. O primeiro computador totalmente eletrônico surgiu em 1946, fazia 5 mil somas por segundo e pesava trinta toneladas. Uma bola de beisebol pesa entre 141,7 e 155,9 gramas. Sean Connery atuou por 6 vezes sob a pele de James Bond. Danny de Vito mede 1 metro e 52 centímetros de altura. Uma das filhas da Baby (do Brasil) Consuelo (nascida e registrada Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade) e do Pepeu Gomes (nascido e registrado Pedro Aníbal Gomez), a Riroca, trocou de nome para Sarah Sheeva.

Assim, pseudoparafraseando Pessoa, forçoso se faz alegar que: viajar é preciso.



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Simples assim
“Já contei até o infinito. Duas vezes.” Disse Chuck.


Testículo
Por John Fante

Fiquei sentado ouvindo em calmo desespero, pensando em meios de escapar, de fugir dali, de pular no meu carro e voltar para a realidade de Bunker Hill, de gritar, de pular e gritar, de pedir a ela para se calar, e então finalmente me dei por vencido e afundei mortalmente ferido na grande cadeira que uma vez recebeu a bunda de Louis B.




E lembre-se:
“Felicidade é ter boa saúde e péssima memória.”


Ingrid Bergman





Pequeno diálogo que não acabou bem

- Eu conheço um homem que quer comprar um asno!!!

- Venda-se, pois.




O triste destino de Bandini, a pulga

Acordei no dia primeiro, olhei em volta do quarto, as paredes manchadas de vinho, o chão sem tapete, a janela com vista para Figueroa Street. Senti o cheiro do restaurante filipino lá de baixo. Seria este o meu fim? Seria este o lugar onde eu morreria, neste colchão cinzento? Eu poderia jazer aqui por semanas antes que alguém me achasse, pensei. Fiquei de joelhos e rezei. Ao pôr-me em pé novamente, notei, nas minhas calças, bem na altura do meu joelho esquerdo, uma pequenina mancha carmim.




Ditos malditos

“Eu já acho que não vou ficar belo se me aceitar burro!” Disse o sapo cururu (aquele da beira do rio) para si mesmo.


“Então fui cortada em delicadíssimos pedaços.
Como cortamos a salada de acelga.” Disse Hilda para Hannibal.


“Uma lata de benzina e uma caixa de fósforos resolvem tudo.” Redargüiu Nero referindo-se a Soraya.


“Hey Charley, I’m pregnant!” Disse a madame para seu cãozinho.


“Tenho aqui, bem na minha frente, espumante brut em forma de mamadeira.” Disse Hic para Glu.


“Tenho aqui, neste exato momento, bem na minha frente, docinhos em forma de Cicarelli.” Disse Schilact para Schilect.




Cartas à balbúrdia

1- Em resposta a impublicável mensagem da Senhora Leitora Liliam Tamagoshi Mangá Saquê Anime (de Ota, Gunma, Japão, Connecticut) enviada até nossa redação por meio do carteiro Orkut (ou orkurteiro):

Lamentamos que a senhora não tenha mais nada para fazer do que ficar lendo o KHzine (é realmente uma lástima), mas, porém, contudo, todavia, entretanto, outrossim, ficamos deveras felizes e regozijados (no bom sentido) com a sua iniciativa de correr os olhos de cabo a rabo (idem parêntese anterior) por sobre o nosso tão querido e fofinho veículo de desinformação aplicada.

Gostaríamos de deixar claro, bem explicado, explícito e sem ambigüidades que nós do KHzine não fazemos distinção de raça, credo, cor, filosofia, maneira de dançar, estatura, nojos em geral, gosto pelos clássicos e tipos de algodão doce de outras cores (que não os de cor rosa). Para provar isso, nunca nem jamais escondemos do mundo que temos duas baratas míopes trabalhando conosco (aliás, é bom que se diga, de onde saem as melhores idéias).

De resto
Era Wilson

Atenciosamente
Nozes



Ps: Que os cudelumes alumiem a sua estrada para todo o sempre.



2- Mensagem enviada pela excelentíssima Senhora Mary Days (de Canoas, Rio Grande do Sul, Brasil, Connecticut):

Prezado editor do fabuloso, espetaculoso e, sobretudo... KHzine, Lehgau-Z: estou mandando meu depoimento sobre esta obra prima da literatura. Fiquei encantada e emocionada com a entrevista com Rosco Bell (edição de número 006), embasbacada com as previsões para o próximo ano (espero que nada de mais grave aconteça), e chocada com a profundidade do texto "É a vida meu amor" em francês. Parabéns e gostaria de continuar recebendo as edições deste maravilhoso periódico. Um grande abraço e um FELIZ ANO NOVO pra todos vocês.


Em resposta, direto da redação:

Rien n’est vanité; à la science, et en avant!

Ou:

Depois dessa bombástica declaração, não tenha dúvidas, a senhora seguramente está na lista dos precitos (o que nada tem a ver com liquidações em lojas argentinas).




Saquê que é? Le monde tourne...

Existe um ritual especial à mesa para tomar o saquê. Levante o seu copinho para receber a bebida, servida sempre por seu vizinho de mesa, apoiando-o com a mão esquerda e segurando-o com a direita. É imprescindível que você sirva o seu vizinho de mesa porque não é de bom tom servir a si próprio (isso é coisa de políticos). O copo de saquê deve sempre ficar cheio até o final da refeição. A tradição manda fazer um brinde, Campai, esvaziando o copinho num só gole. É sinal de hospitalidade e atenção.

Ps: Se, na segunda vez, você sentir dificuldades para executar o ritual até o fim, substitua o conteúdo do copinho por tubaína de alcaçuz ou Sprite Zero com gengibre moído. Em caso de dificuldades lá pela terceira ou quarta vez, peça um café bem forte, tome um banho frio e volte para a mesa em seguida.

Campai





E lembre-se:
“Livrai-me, Senhor, dos abestados e dos atoleimados.”


Hilda Hilst




Conselhos de butique

Se o vento soprou continuamente durante o dia, fica certo de que durante a noite ele cessará: toma tuas precauções e tuas disposições. Pão, mortadela, queijo, manteiga, manjericão e arrazoados em riste, uma Coca light na manga para o caso de um inesperado e desagradável embuchamento e um ou dois clics rumo ao vinte da Net.

Se mais nada te restar, sejas um Bibo tu também!






Juliet’s wild years

Well it was just another night and Romeo is bleeding
Money to borrow and goodnight kisses
And the porcelain poodles and the glass swans
Staring down from the knick knack shelf
Yea and that goddamn tranny’s just getting worse.




Dos sonhos e das realizações
Por Cleston O. Contritho

Minha infância foi muito feliz. Meus sonhos se dispersavam entre a presidência dos Estados Unidos da América do Norte e uma bem sucedida carreira de corretor de imóveis na vila Safira.

Um dia uma forte chuva veio, e acabou com o trabalho de um ano inteiro. E aos treze anos de idade, eu sentia todo o peso do mundo em minhas costas. Eu queria jogar, mas perdi a aposta.

Foi então que acabei por me tornar um maldito redator.



E lembre-se:
“Quando os diabos querem dar corpo aos mais nefandos crimes, celestial aparência lhes emprestam.”


William Shakespeare



Esquizoconto

Estacionei o carro em frente ao hotel, tirei duas valises e carreguei-as para dentro. O saguão estava vazio. Fiquei ali por um momento, respirando o perfume do lugar, o terno aroma reminiscente da fragrância da mulher mais gentil que eu já conhecera. Era como se Einstein, Chaplin, Freud, Picasso, Buda, Dali, Marx, Nietzsche, Gandhi, Da Vinci, Jung, Maquiavel, Darwin, Sócrates, Brecht, Welles, Guevara, Hilst, Lennon, Galileu, Villa-Lobos, Fante, Glauber, Pessoa, Lenin, Borges, Reed, Ginsberg, Isadora, Sartre, Hendrix, Dodgson, Bukowsky, Vivaldi, Marilyn e Odair estivessem todos juntos dentro da minha cabeça executando suas funções de uma só vez.

Olhei um segundo para o lado e já não estava mais lá.




KH ciência
Perguntas inconsistentes, respostas ignaras

* Qual é o doce preferido do átomo?- Pé-de-molécula.

* Como o elétron atende ao telefone?- Próton!

* O que um cromossomo disse para o outro?- Oh! Cromossomos felizes!

* Como as enzimas se reproduzem?- Uma enzima da outra.





E lembre-se:

“The life is a joke; the Puff is Daddy.”




Para pensar naquela maldita hora em que, ou sai, ou desocupa o tufo maciço de plantas arvorecentes

“O que o coprólito disse para o sorete?”



Ela voltou diferente
Por Odair José


Um dia ela voltou pra casa e sorriu com um sorriso diferente
não me abraçou nem me beijou, disse: como vai? - simplesmente
ah, eu notei no seu rosto uma tristeza sem fim
quando ela chegou mais perto de mim
foi direto pro seu quarto e dormiu como se eu nem existisse
beijei seu rosto um tanto sem graça e mesmo assim ela nada disse
ah, eu pensei, ela deve estar zangada comigo
mas eu não fiz nada errado por isso eu não ligo
naquela noite fria não consegui dormir
fiquei pensando no que fazer
ela voltou pra casa um tanto diferente e a razão eu queria saber
no dia seguinte quando ela acordou me chamou pra conversar
falou de coisas da nossa vida e de repente começou a chorar
ah, ela disse que fez qualquer coisa de errado
e agora sentia vergonha de viver ao meu lado
eu abracei seu corpo e lhe falei sorrindo:
a gente esquece o que passou
mas ela foi embora e nunca mais voltou
e foi assim que tudo acabou





E lembre-se:
"Só uma arte irritada, indecente, violenta, grosseira, pode nos mostrar a outra face do mundo, a que nunca vemos ou nunca queremos ver".

Pedro Juán Gutierrez

Le monde n’a pas d’âge. L’humanité se déplace, simplement

Qu'y puis-je? Je connais le travail; et la science est trop lente. Que la prière galope et que la lumière gronde... je le vois bien.

Et nous existerons en nous amusant, en rêvant amours monstres et univers fantastiques, en nous plaignant et en querellant les apparences du monde, saltimbanque, mendiant, artiste, bandit, Ange, mu-mu, Mandiopã, coton sucré, chaussures sept, cinq, deux...




Boas & novas

“Trago novidades: estou de rolo com uma partícula expletiva!” Suspirou Virgulino, o vendedor de tipos, dois pontos adiante do acento agudo e em frente ao til.






KH Publicidade

Especialista em:

*Descapetização e desabichamento.

*Trago seu/sua amado(a) de volta em sete anos e três meses.

*Encontro seu cão/gato/peixe de estimação com a roupinha e tudo.

*Curo dores de barriga, de cabeça, de cotovelo, de cornos, frieira, unha encravada, encosto, bala perdida, mordida cruzada, roupa manchada, verruga, calvície, vagabundagem, biquíni atolado, saia muito curta, maionese estragada e cafagestagens em geral.



Mãe Suziecreide

Sigilo absoluto
Atendimento personalizado via Skype para qualquer parte do mundo
Aceito todos os cartões


“Por conta de que nóis merece ser feliz não é mess!”



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”A essa altura eu sei tanto de tolos e conheço tão bem a idiotice humana que já posso começar a escrever minha biografia.”


Millôr Fernandes




Seção folhetim

Clayton, o cominho
Capítulo 03


Nascido em uma pequena cidade ao norte de Londres e filho de pai carpinteiro, Yoko Martin (também conhecido como “O quinto elemento”), teria aprendido a tocar piano sem ajuda de mestres, ainda com dezesseis anos de idade. Depois de ter sido vitimado por uma juventude humilde (seus ancestrais foram pessoas de muitas posses, mas seu avô, Ringo Martin, gastou tudo o que herdou com bugigangas em lojas de 1,99), Yoko resolveu partir para o mundo do show business como produtor musical.

Tendo alçado ao sucesso grupos como “Acirema”, Martin possui uma idéia fixa: montar a maior banda de todos os tempos: “Os Selta E-B”.

Já no primeiro show, Clayton, logo ao adentrar o palco, tropeça nas próprias unhas dos pés e desaba seus mais de oitocentos quilos por sobre um roadie, matando-o instantaneamente. No mesmo momento, em virtude do tombo, solta um incomensurável arroto fazendo com que a chama do isqueiro de um segurança que chamusca a ponta de um cigarro logo à frente do placo, transforme-se em um potente maçarico, que calcina no ato vinte e cinco adolescentes, entre onze e dezesseis anos, mais uma senhora de noventa e dois que entrara ali por acaso, achando se tratar do “Encontro anual de pipocas alucinógenas para a melhor idade”.

No dia seguinte Os Selta E-B estão nas primeiras páginas dos jornais do mundo inteiro. A banda é catapultada instantaneamente ao sucesso e tem, em menos de duas horas, nada mais, nada menos que dezoito bilhões de downloads vendidos de seu primeiro single chamado: “Help , I am dying burned or below of eight hundred kilos” (sim, eles usaram um tradutor on-line).


Assim, Yoko Martin acaba por atingir o seu mais sórdido e ambicioso objetivo, entrando, definitivamente, para a história da humanidade por ter conseguindo o maior feito de todos os tempos em termos mercadológicos: em menos de cento e vinte minutos consegue fazer com que cada habitante do planeta terra compre, não uma, mas três unidades idênticas da mesma música, via rede mundial de computadores (incluídos aí, é bom que se diga, crianças, recém nascidos, idosos, enfermos em plena mesa de cirurgia, mendigos, sovinas e cominhos mutantes). Sim, além de Clayton e dos demais integrantes da banda, por óbvio, o próprio Yoko Martin administrou seus três downloads, pagando um dólar cada unidade.

(il continuera???)

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Expediente


Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.

Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Arranje um cutelo bem pesado e afiado e uma tábua de carne. Coloque o seu dedo mínimo da mão que você não usa para escrever sobre a tábua e bata (de um só golpe) com o cutelo na base do mindinho. Em seguida você sentirá apenas um calorzinho (ao menos é o que dizem); procure, então, responder rápido: o que é um ponto marrom no pulmão? E, logo após: o que é um ponto vermelho no meio da porta?
(Se você responder: uma brownquite e um olho mágico com conjuntivite, parabéns, o ciclo se fechou).
Não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:
mailto:eunaoqueromaisreceberessezinedoidivanas@cancaborrada.com.br,
ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase:
Eu sou contra a matança indiscriminada de alfaces”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está. (Apenas feche a boca e pare de olhar para a tela do computador como se um órgão sexual ela fosse. Obrigado!).

Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br

Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.
Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal):
“Nem vem que não tem”.


Sem mais delongas:

Lehgau-Z Qarvalho – O Nacional Kid.
Ottomano Vibe – O Ultramen.
O Resto – Meros Power Rangers.

Sábado, Janeiro 27, 2007

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut, dezembrão de 2006.
Edição de número 006
Para ser lida, combatida e tida como desaparecida logo em seguida.
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Periodicidade fantasma!
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Editorial

Do natal, reveillon, pêlos encravados, versões de músicas para datas específicas e suas tensões

Wonderland, verão de 2006. O escorpião vesgo Dudlle encontra-se em perigo no interior de um círculo feito de gasolina em chamas. Enquanto Dudlle fala para si mesmo: “alguém aqui tem o senso de humor de um dragão chinês”, prepara o ferrão no rabo, mira, toma fôlego, pensa nas crianças, no financiamento da toca, na vizinha do 43 que nunca sequer o notou, na eterna dívida com a padaria e no filme que passará logo mais à noite na tevê (O escorpião escarlate), posiciona o rabo diretamente acima de sua cabeça, grita “AFFFF MARIA, O NATAL JÁ ERA E EU NÃO FIZ A MINHA CARTINHA!!!” e manda um golpe seco e sem perdão. Erra. Acaba por acertar o próprio olho esquerdo e passa a enxergar tudo normalmente. O fogo se apaga sozinho e ele sai caminhando.





E lembre-se:
Tudo passa, tudo passará, quem de trás ficará, a porteira está aberta para quem quiser passar.





Fragmentos da entrevista com Rosco Bell
(Irmão do famosérrimo Jingle Bell)


*Atualmente o que eu faço é pegar dois, ou mais, pedaços de papel, colocá-los em um quarto com ar condicionado e espelhos no teto e deixá-los procriar. Até que virem um imenso pacote com doze rolos de papel higiênico com cento e oitenta metros de comprimento cada. É o que todos querem: mais por menos.

*É, o Noel é uma cara legal. Sempre nos deu muito apoio.

*Ahã, isso mesmo. O fato é que meu irmão nunca superou o trauma com a tal versão: “... acabou o papel”. Passou muita vergonha. Foram anos de terapia. Problemas sérios com álcool e drogas em geral. Minha família quase foi à falência. Meu irmão foi injustiçado. A humanidade deve respeito a ele.

*Estou agora terminando um poema intitulado "Nem só de portentosas bistecas vive o homem", em parceria com o Ângelo Máximo (talvez vire uma música, um vírus de computador ou um imã de geladeira).

*Digamos que costumo procurar formas diversas de usar um guarda-chuva.










E lembre-se:
É como dizem: "se você foi à Nova York e não foi na Macy´s, então você não foi à Nova York."... O mesmo serve para a Vila Tronco em relação ao Goró do Jaílson.




Típica história típica de natal

Vinte e quatro de dezembro de 2006. Connecticut amanhece parvoejada e sem saber que Merry & Christmas, a dupla de duendes natalinos, ainda de pijamas, planeja lançar uma versão de Noite Feliz em Gaulês underground e trocar todas as mensagens de Feliz Natal para “Veseloho Vam Rizdva i Shchastlyvoho Novoho Roku!” (Sim, eles têm negócios com a máfia Ucraniana). Merry & Christmas entreolham-se sarcásticos, soltando pequenos risinhos parecidos com soluços (só que mais afetados) enquanto amolam sua coleção de canivetes suíços para cortar o bolo de figos tailandeses, ricota de iaqui e amêndoas toscas oriundas do fundo do lago Ness, logo mais à noite. (Sim, eles estão um pouco acima do peso).

Enquanto raspam o aço na pedra fazendo raaasp, rrraaasp, Merry & Christmas pensam em como suas vidas seriam diferentes se eles tivessem nascido no Morro do Boreu. São, então, acometidos de um profundo sentimento de injustiça social e resolvem explodir o saco do Noel à meia-noite desta trágica (ou não) véspera de natal; atear fogo ao trenó e esquartejar cada uma das renas. Em especial a do nariz vermelho: “aquela exibida metida a diferente”. Tudo isso para que criança nenhuma receba os devidos presentes (nem mesmo as do Morro do Boreu). De repente, uma voz ecoa de dentro dos bolsos de seus velhos pijamas listrados proferindo um antigo ditado russo que apregoa: "O que o Ivanovich, o Ivanosentch".

Merry & Christmas ficam extasiados com a sabedoria dos pijamas, e só então notam suas listras. Felizes e com o intuito de festejar a valer, passam a beber cidra paraguaia em concomitância com doses maciças da “marvada” de alambique.

Assim que a noite cai, os dois vão para as ruas, onde cambaleiam absortos em pensamentos maus e sentimentos de autopiedade. Até que, ao atravessarem uma avenida: SCHFLUSH, SCHFLUSH... São esmagados contra o asfalto pelas rodas do excelso e iluminado comboio de caminhões da Coca-Cola.






Mistérios que assolam e apoquentam deveras a humanidade

O abominável gente fina Oswaldo Mirka das Neves
Por Juca Bahla de Menthol


John Hunt, líder da expedição conquistadora do monte Everest, em 1953, dedicou uma página (nada mais, nada menos) de seu "The Ascent of Everest" ao Yeti. Três semanas antes de começarem definitivamente as primeiras investidas ao Everest, John Hunt, em companhia de Charles Wylie e Tenzing, visitou o monastério de Thyangboche. Lá escutara algumas histórias sobre o Yeti. Dentre elas, uma descrição convincente de como o Yeti teria aparecido, há poucos anos, nos arredores da região.


Como
Um Yeti é um tanto quanto, digamos, diferenciado. Movimenta-se ora em duas, ora em cinco patas, tem entre 13cm e 2,10m de altura, pelagem cinza e um piercing no terceiro umbigo, ou seja, a mesma descrição que John Hunt ouvira de várias testemunhas.


Quando
Uma das histórias ocorridas há vários anos no Tibet, não muito agradável, foi a de um massacre aos Yetis. O que resultou em um decreto governamental que deixaria os Yetis protegidos legalmente, e com direito a sapatos feitos sob medida, caso aparecessem.


Onde
Anos mais tarde, em 1960, Edmund Hillary liderou uma expedição que possuía três objetivos bem claros: a busca do Yeti, trabalhos científicos ligados à fisiologia do corpo humano em altitude e a influência das piscinas na atitude parlamentar das cáries e bichinhos do Hã-Hã em Tegucigalpa. Em “High in the Cold Air”, Desmond Doig, integrante do grupo que procurou o Yeti, dedica metade do livro ao assunto. Nada jamais foi encontrado até então.


Por qual maldita razão?
Quanto a mim, troco e-mails com ele (além de conversarmos via Skype) quase todo dia. É um cara legal. Outro dia me mandou cinco quilos de ricota de iaqui com ervas finas “made in Himalaia”. Graaaande Mirka.





Ps: Se alguém precisar de provas da existência do Yeti, procure por mim amanhã de manhã, às 8h30min, no Hotel Liechtenstein (na frente da lojinha de Xerox), em Budapeste. Seja pontual (e traga chocolates).





Previsões para o ano que se aprochega


*Haverá ao menos uma catástrofe no mundo;

*Choverá;

*Teremos dias de sol também;

*Ocorrerá um grande número de nascimentos;

*Também um monte de gente morrerá, e das mais variadas causas;

*Janete quebrará uma unha;

*Políticos serão acusados de corrupção;

*A humanidade seguirá comendo pão;

*Os bancos terão lucros exorbitantes;

*O natal cairá no dia vinte e cinco de dezembro, tendo como véspera o dia vinte e quatro;

*O dia trinta e um de dezembro será o último dia do ano;

*As semanas conterão sete dias e os dias vinte e quatro horas;

*Um baile terá como música de abertura “New York, New York”;

*Um integrante da família Silva soltará um horripilante flato dentro do elevador;

*Um filho receberá o mesmo nome do pai;

*Uma celebridade terá esquecido as calcinhas em casa no momento em que se encontrará, por acaso, com um fotógrafo em um local público;

*O KHzine terá reconhecimento mundial.





Coisas que a vã filosofia se esforça para entender

Enrico Caruso (1873-1921), um dos cantores de ópera mais populares do mundo, foi preso em Nova York por ter beliscado o traseiro de uma mulher estranha (é, ela possuía o traseiro na dianteira) no Central Park, em 1906. O caso ficou conhecido como o “Escândalo da Jaula do Macaco” (sim, o macaco jamais compreendeu lhufas do ocorrido).




Conhecimentos lingüísticos muito úteis para iniciar uma conversa no elevador

*A língua do tamanduá mede até cinqüenta centímetros. Ela libera um líquido doce que serve de isca em um formigueiro. Sua boca, no entanto, tem dois centímetros e meio. Um tamanduá-bandeira come dois milhões de formigas por dia.

(Dica: formigas não engordam)


*A língua da girafa mede quarenta e cinco centímetros.

(Toque: o pescoço serve de estojo)


*A língua do camaleão é maior que o próprio corpo.

(Comentário: não é por acaso que o bicho vive mudando de cor)


*O cachorro transpira pela língua.

(Ponderação: procure beijar apenas seres humanos na boca)


*As cobras ouvem com a língua. Como não têm ouvidos e suas línguas são extremamente sensíveis às vibrações sonoras, passam o tempo todo mostrando a língua com o intuito de captar tais vibrações.

(Alerta: o mesmo não ocorre com crianças mal-educadas)





Das penas e dos nomes

*Na Turquia dos séculos XVI e XVII quem fosse pego tomando café era condenado à morte.

*Na Connecticut do século XXI, quem é pego comendo casca de ferida é condenado a comer meleca de nariz também.

*Assim como marmotas não brilham no escuro, Aryclenes Venâncio Martins, Nilcedes Soares Guimarães, Issur Danielovitch e Norma Jean Mortensen são, respectivamente, Lima Duarte, Glória Meneses, Kirk Douglas e Marilyn Monroe.



Intrigantes intrigas para intrigar intrigáveis
(repita rápido por 2.847 vezes)

Por qual motivo, razão ou circunstância a loja 24 horas (estilo de conveniência) tem fechadura?!



Musimáximas pós-modernas

Todas as certezas são, em si, suspeitas (até mesmo esta). Já as em Dó, Mi, Ré, Fá, Lá e Sol...



E lembre-se:
Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental”.



Disse então a cerveja para o vinho:

Neurônios me dão coceira; sinapses, enxaquecas.




Repeat please

Three switched witches watch three Swatch watch switches. Which switched witch watch which Swatch watch switch?



Dos tapas e dos beijos
Por Z. William S. J. Fante

Descendo a escadaria, veio ela, flutuando em um diáfano vestido de receber em casa. Sedas tremulavam atrás dela como acompanhantes querubins, e uma nuvem de perfume exótico me envolveu quando ela me ofereceu sua mão. Pude notar que trazia resquícios de polvilho entre os fios de cabelo cor de noite sem astros. No começo pensei se tratar apenas de simpáticas e inofensivas lêndeas. Mas sim, não havia dúvidas, ela era mesmo uma cabeça de alho disfarçada de refinada e esguia dama.

“Suas idéias razoáveis são como dois grãos de trigo perdidos em dois alqueires de palha: gastais um dia inteiro para encontrá-los, mas, uma vez achados, não compensam o trabalho”, falou desdenhosa, flechando-me certeira o coração.



Vós sabíeis?!

A melodia de Parabéns pra você tem origem na canção Good Morning to All (Bom Dia a Todos) de Preston Ware Orem publicada em 1893 e oficialmente registrada em 1935 pela Summy Company, empresa para a qual Orem compôs a canção. Por causa disso, hoje há uma certa polêmica sobre o copyright e direitos sobre a execução da canção. A Summy Company exige que royalties sejam pagos quando a canção Parabéns para você for executada ao público.


Comentário: se a sentença for favorável aos impetrantes, estaremos todos endividados.





Ícones da testosterona

Chuck Norris só dorme de luz acesa!
Não, Chuck Norris não tem medo do escuro; mas a recíproca não é verdadeira.



Sobre o KHzine
Por Thomas Mann Dihgo

Compulsando-se a variedade de versões existentes, observa-se que o texto tornou-se um palimpsesto que, dois milênios depois, ainda conserva seu fulcro original e sua dicção aforismática e oracular.



Ícones da testosterona II

A mulher que não sabe pôr a culpa no marido por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma.


William Shakespeare
(Foi ele que disse!)



Filos oh fia de shopping center
Por W.S. Humm Bihgo

“Embora admiradores da virtude, da disciplina moral, não devemos virar estóicos, nem sermos devotos de Aristóteles ao ponto de renegar Ovídio como a réprobo. Ou, indo além, comermos donuts por paçocas.”




E lembre-se:
Tal como a sombra, o amor corre de quem o segue: foge, se o perseguis; se fugis, vos persegue.


C'est la vie mon amour
Por Apricot Renault Peugeot Sifehrrot

J’ai de mes ancêtres gaulois l’oil bleu blanc, la cervelle étroite, et la malandresse dans la lutte. Je trouvemon habillement aussi barbare que le leur. Mais je ne beurre pas ma chevelure.



Seção folhetim

Clayton, o cominho
Capítulo 02


Amanhece outra vez e Clayton, o cominho, logo ao acordar, tem a brilhante idéia de escrever suas memórias em um guardanapo sujo de batom que encontra no móvel de cabeceira logo ao seu lado. Mas, ao pegar o guardanapo e uma caneta, se dá conta de que não usa batom. Assim, muda de idéia e resolve escrever um best-seller intitulado: “O mistério do batom no guardanapo que não era meu”. Depois de decidir que o guardanapo ficaria intacto para a posteridade (talvez para ser utilizado na composição da capa do livro), Clayton pega um rolo de papel para telex marca Kerouac (colocado ali por Pont Eihro, o gnomo do tempo), mete uma das pontas na máquina de escrever (outra do gnomo supramencionado), e datilografa sem parar até atingir a totalidade de quarenta metros de papel preenchidos em prosa em espaço um e sem parágrafo. Dir-se-ia que poderia estar aditivado com colossais doses de Benzedrina (o tal Pont é mesmo da pá virada).

Após três semanas, com setenta quilos a menos, Clayton levanta-se para ir ao banheiro e resolve reler o que escreveu. Ao passar os olhos pelo título, já devidamente acoplado ao vaso sanitário, percebe que não consegue entender bem o que registrou. Não sabe se é o batom ou o guardanapo que não era dele. Só então se lembra que é um analfabeto funcional e que, portanto, não consegue interpretar o que lê. Irritado, joga o rolo de papel de telex datilografado no lixo e sai em busca da sua iguaria predileta: algodão doce com tubaína sabor cola, quente.

Nesse ínterim, o Doutor Jaderson Sinclair, estando já mais ou menos refeito das amargas dores do coração, e sem um mísero vintém, passa a morar com uma codorna no sótão de um depósito clandestino de alcaparras, tomates secos e outras modalidades de condimentos.

Sinclair, dividido entre a dedicação exclusiva aos afazeres científicos, e uma forma de melhorar o gosto do milho moído, descobre, acidentalmente, que focinho de porco não é tomada. Alucinado, tenta, por oitos horas consecutivas, morder o próprio cotovelo. Como se não bastasse, a codorna é abatida para servir de janta ao pessoal da faxina.

Concomitantemente, Clayton caminha desesperado na tentativa de encontrar o homem do algodão doce quando, bem na esquina das ruas quinze com mil setecentos e cinqüenta e nove, solta um uivo acachapante ao pisar no próprio saco escrotal. Yoko Martin, um importante produtor de bandas de rock que por ali está a passar, decide contratá-lo como vocalista da maior banda de rock da história.

(to be continued...)





E lembre-se:
Um armador solitário construiu a Arca de Noé. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. E um nabo sozinho não faz verão.

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Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.

Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Ingredientes: 1 xícara de mussarela de iaqui cortada em pedaços não muito pequenos, nem muito grandes, nem muito médios; 2 peitos de búfala cozidos em caldo siamês temperado e desfiados grosseiramente; 3 talos de frango cozidos em caldo escandinavo; 2 estômagos de cenouras cozidos no bafo do coelho Pimpão; 2 picados de salsão em talos; 2 Bubaloos sabor galinha caipira picados; 1 xícara de palíndromos exultantes cortados em rodelas ou cubos (podem ser do tipo “é nobreza fazer boné”); 1/2 xícara de ervilhas falantes frescas ou congeladas (evita-se a gritaria); 1 maço de alface americana (sem sotaque), cortada em pedaços pequenos e com as mãos (para evitar traumas - alfaces são seres vivos e sensíveis); 100g de nozes (ou “vocezes”) quebradas em pedaços grandes; 1 poodle macho sem roupas, sapatos e/ou tênis nem lencinho no pescoço; suco de limão (aquela lima bem grande); 1 xícara de maionese (ou fevereironese); Azeite de boa qualidade (ou de péssima ou mais ou menos); sal e pimenta a gosto (ou dezembro). Modo de preparar: Passe tudo no triturador, leve ao forno pelo tempo que quiser e espalhe homogeneamente na porta daquela sua vizinha chata do 502. Grite “Buba meu rei, Buba meu rei, Buba meu rei” ininterruptamente por sete dias e sete noites e saia para procurar um novo sanatório para morar.

Não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:
eunaoqueromaisreceberessajoça@cancaborrada.com.br,

ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase: “Eu desejo ser um inhame”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está (Apenas remova discretamente o feijão que está grudado em seu dente da frente. Obrigado).

Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br

Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.
Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal):

“Nem vem que não tem”.

Sem mais delongas:
Lehgau-Z Qarvalho – O universo.
Ottomano Vibe – A casca de noz.
O Resto – Meras passas de uvas.



http://khzine.blogspot.com

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut, admirável novembro de 2006.
Edição de número 005
Para ser lida e tida como não lida logo em seguida.
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Periodicidade obscena!
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Editorial

Bem, bem, bem. Cá estamos nós agora, sobre tapetes vermelhos recobertos com pétalas de rosas. Assim como o próprio veículo, o sucesso televisivo é deveras instantâneo. Algo para muito além dos achocolatados em pó e sopas de caneca. E radical e energeticamente mais gostoso e nutritivo. Mas tem lá seu cafife. Fato é que agora estamos com sérios problemas para ir a padaria (que fica do outro lado da rua). Mandamos fazer uma armadura eletrificada para cada um de nós (incluindo as baratas míopes). Já nos rasgaram duas das nossas três melhores e piores roupas. Tentamos, sim, efetuar a travessia pelados. Mas aí quase perdemos coisas bem mais importantes (fundamentais até, diríamos).

Temos recebido e-mails anônimos com sérias propostas nupciais, propostas de divórcio, pedidos adiantados de exames de DNA (ah, essa gente que gosta de colocar a carreta na frente dos bois), anúncios de “empregados que se oferecem”, plantas e projetos para a construção de pipas e dicas para fazer um brownie mais fofinho e delicado (além de um mapa em 3D das planícies montanhosas do litoral herzegovino – em Connecticut).

É, como já dizia o Zé Pastrami (primeiro namorado da Barbie e ex-marido da Smurfete), vida de famoso não é brinquedo não!







Prova de que o KHzine já era imitado mesmo antes de nascer

“Acordo de sono profundo, para olhá-la. Uma luz pálida está entrando. Olho seus belos cabelos soltos. Sinto algo rastejando pelo meu pescoço. Olho-a de novo, bem de perto. Seus cabelos são vivos! Puxo o lençol - mais cabelos. Estão enxameando sobre o travesseiro. É um pouco depois do amanhecer. Arrumamos nossas coisas às pressas e saímos furtivamente do hotel. Os cafés ainda estão fechados. Caminhamos e, enquanto caminhamos, coçamo-nos. O dia abre-se em leitosa brancura, traços de céu rosa-salmão, lesmas deixando suas conchas.”

Henry Miller - Trópico de Câncer




Questões para reflexões para aparvalhados, sinistros e falastrões


*Por qual motivo, razão ou circunstância as pindamoiangabas silvestres apresentam-se sempre nas cores bege e lilás esverdeado?

*Por qual motivo, razão ou circunstância as jurubebas selvagens apresentam-se sempre com gatinhos ruivos a tiracolo?

*Por qual motivo, razão ou circunstância estamos escrevendo motivo, razão ou circunstância repetidas vezes?




Sugestão para uma revolução

Para o combate à incessante busca do mundo pela perfeição
Por Vahga Bond de Almeida

Basta que não façamos nada. Fiquemos de papo para o ar e com muita sombra e água fresca. A perfeição exige trabalho árduo e parnasiano. Disciplina acima de tudo. Se nada fizermos, estaremos corrompendo o sistema. Corroendo os seus altivos pilares lá nas bases. Iniciando a ilustre derrocada dos rococós. Muito bem, o plano é esse então: nada vezes nada.

Ps: Podemos começar a sair de costas nas fotos também. Tirar meleca do nariz em público não é má idéia. Deixar crescer a unha do mindinho do pé...




Seção regurgitação
Mensagens dos pobres leitores enviadas à redação

Oi!
Eu não vejo E.T.’s. Mas eles me vêem. Disso eu não tenho a menor dúvida.

Amplexos verdinhos

Branca de Neve Gonçalves – São Sepé - Connecticut


Redação KH: Nós também não os vemos. Apenas sentimos o cheiro.

***


Encostei a bochecha na tela do meu PC e levei um choque na cara que me deixou sorridente pelo resto de meus dias.

Sílvio Abravanel da Nóbrega – Petulândia - Connecticut


Redação KH: Nossos mais sinceros parabéns.

***


KHzínicos senhores:

Vocês são a minha calota de Lamborghini prateada. Meu Picolé de chocolate siberiano com avelãs frutadas trazidas em lombo de mula lá dos confins da Polinésia. Meus tamanduás de língua doce e grudenta. Meus dentes de ouro para um coveiro endividado.

Alice Wonderland de Souza – Caratatatipicaipicuicuipirpiticuíba – Oritimbó Mirim - Connecticut


Redação KH: Muito agradecidos. Conte sempre conosco (nem que seja para dividir o seu prêmio da Mega-Sena acumulada).




O que dizer em um primeiro encontro para que o mesmo não se transforme em casamento

*Gosta de mangas geladas ou in natura?

*Prefere jeans ou limonada?

*Assoviar ou chupar cana?

*Ferraris ou escarolas?

*Blim, blim, blins ou blóm, blóm, blóins?



Essas coisas...






Felicitações em KHzinês

Aceite os meus mais sinceros parabéns como se um café com brioches da Antuérpia e tubaínas de anis suadinhas fossem.



Quer saber qual a primeira impressão que você causa nas pessoas?

Então pergunte sempre e logo de cara:

Com quanto de fita se faz uma palafita?



O dia em que o Orkut parou

Ou o Senhor, a partir de agora, passa a fazer uso das vírgulas, pontos e toda a característica gama de acentos gráficos, conforme as regras gramaticais vigentes na língua portuguesa até o presente momento, ou terá de se retirar do recinto.



Grato.



Camões Neto, o bisneto

“A idéia mais original que tive até hoje foi a de escrever Os Lusíadas.”



Camões Neto, o bisneto II

“Mas parece que alguém chegou antes... Maldito bastardo!!!”




Perguntas sobre as maravilhas da tecnologia contemporânea atual dos dias de hoje

Um produto que emagrece dormindo, em princípio, deve ser um produto bem gordo?


Assim como B está para A e A está para B (e vice-versa) na pós-modernidade
Para Anapompa

1- Um velho e justo mercador de Bagdá deixa seus bens para serem divididos igualmente entre seus três filhos.

Entre os bens existem 21 vasilhames: 7 cheios de mel; 7 com mel pela metade e 7 vasilhames vazios.
Como fazer a divisão eqüitativa de forma que cada um dos filhos receba o mesmo número de vasilhames e a mesma quantidade de mel, sem que haja nenhuma transposição de qualquer quantidade de mel de um vasilhame para outro?

2- Suponha que um lírio esteja aflorado 25 centímetros em relação à superfície da água. Esticando a planta até ela desaparecer, isso ocorre a uma distância de 55 centímetros em linha reta sobre a superfície da água, em relação à linha vertical da posição original da flor.
Qual a profundidade do lago?



Resposta 1: “Com muita doçura!”

Resposta 2: “Não faz a mínima diferença. O que importa mesmo é que o lírio passa bem!”



Sobre o ato da mudança consentida por vontade própria e auto-abonada

- Hummm, agora sim está com cara de gengibre Albanês!!!

- Muito bem! Como bem dizia a garota do comercial do SEMPRE LIVRE® Mini Toque Suave Abas na tevê: não é preciso temer as mudanças.



A História secreta do Benjaminzão

Big Ben, ao contrário do que muitos pensam, não é o famoso relógio do Parlamento Inglês, nem tampouco sua torre. É o nome do sino, que pesa 13 toneladas e foi instalado durante a gestão de sir Benjamin Hall, ministro de Obras Públicas da Inglaterra, em 1859. Por ser um sujeito alto e corpulento, Benjamim tinha o apelido de Big Ben. Todos os dias, a rádio BBC transmite as badaladas do sino.

O nome do relógio é Tower Clock, ou Clock Tower (ou vice-versa), e é muito conhecido pela sua precisão e tamanho. Certa vez uma família de pássaros pousou no seu ponteiro e o desregulou em cinco minutos. A família jamais se recuperou do trauma e da culpa. O pai passou a beber todas, a mãe tornou-se um dama na cama, o filho mais velho entrou de bico no mundo das alpistes tetraidrocanabinólicas, a filha abandonou as aulas de vôo livre e passou a freqüentar locais onde ocorreram grandes desastres ecológicos e o caçula, hoje, é o segundo na hierarquia da Máfia dos cucos de relógio.



E lembre-se:
Jabuticabas bósnias jamais serão fivelas de sapatos femininos.




Roubaram-me o gira-discos
Por Tom Waits, Lehgau-Z e Roberto Leal


Lá fora, outra lua amarela
Rasgou um buraco na noite
Salto pela janela e vou rua abaixo
A brilhar como uma moeda nova
Os comboios para a baixa vão cheios
Com todas as miúdas do Brooklyn
A darem tudo para fugirem
Aos seus pequenos mundos

Entro na cidade pela auto-estrada
E estas lágrimas do céu
Como diamantes no pára-brisa
Deus está fora a negócios
Sempre tem queijo cheddar grátis na ratoeira, baby
E ainda tenho aquele disco do Odair José
Mas roubaram-me o gira-discos, baby
O que é que se há de fazer?...
É, roubaram-me o gira-discos
O que é que se há de fazer?...
Socorram-me subi no ônibus em Marrocos
É nobreza fazer boné




Sorte de hoje:
Se seus desejos não forem extravagantes, eles serão realizados.

(Lá se vão as minhas chances de ter com a Scarlett Johansson.)








Muffi e Puffi

“Tu talvez não tenhas vivido muito tempo no fundo do mar”, disse Muffi para Puffi. “E talvez jamais tenhas conhecido uma lagosta”, completou.

A História da humanidade está repleta de expedições e pessoas visionárias que dedicaram suas vidas na busca da coçada de costas perfeita e do descascador de chuchus ideal. Se hoje, através de um mapa, podemos saber com exatidão onde começam e terminam continentes, países, cidades, a liberdade do outro e o setor de hortifrutigranjeiros do supermercado, há centenas de anos, quando mal se possuía certeza se o Japão era uma ilha ou parte do continente asiático, ou, ainda, como os japoneses faziam para comer sopa de cabeça para baixo, navegar mares adentro era a única maneira de conseguir entender melhor como se desenhava o planeta.

Assim, conhecer a história de Muffi e Puffi é entrar em sintonia com os limites e desafios que o ser humano é capaz de superar, pelo simples prazer de desbravar o desconhecido e por estar totalmente entediado com a programação da tevê local.

“Há quem prefira mondongo!” Disse Muffi.

“Bem, como dizia o velho Ari (Stóteles), uns gostam do olho, outros da remela.” Redargüiu Puffi.

“Há ainda os que preferem mondongo!” Continuou Muffi.







Sobre as tais de “entrelinhas”


Jahlahlahlah, 29 de fevereiro de 1837


Dear Candy

O território russo contém 17.075.400 metros quadrados. Mais de cem navios e aviões desapareceram na região do Triângulo das Bermudas, no oceano Atlântico. Uma pessoa distinta e bastante hábil levaria 32 anos para contar de um a um bilhão, detendo-se não mais que um segundo em cada número. Em 1967, a inflação no Brasil foi de 25,01%. Já em 1993, foi de 2.708,55%. Desde que o mundo é mundo, mais de duas mil guerras já foram travadas. A princesa Diana chamava o Príncipe Charles de “Cara-de-Peixe” (não se sabe em quais circunstâncias). Um Beija-flor pesa, em média, dez gramas. A primeira escova para limpar os dentes apareceu na China, em 1498, e suas cerdas eram feitas de pêlos de porco. O primeiro semáforo do mundo foi instalado na cidade de Boston, nos Estados Unidos, em 1840. Em um ritmo de jogging (a 9,5 quilômetros horários), uma pessoa levaria 175 dias – correndo sem parar – para percorrer os 39.840 quilômetros necessários para dar a volta ao mundo pela linha do equador. Essa mesma tarefa levaria mais de cinco anos em se tratando do planeta Júpiter.

De resto, digo que gosto e não gosto de nenúfares cozidos com leves borrifadas de extrato de claras em neve de ovos de codornas herzegovinas (falo das roxinhas, jamais das lilases). Portanto não me casarei com você, sua abelhinha safadinha.




Atenciosamente

Clodoaldo Manso Pero No Mucho





Shaw Churchill mesmo!

Telegramas trocados entre Bernard Shaw e Winston Churchill:

*"Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação minha peça Pigmalião. Venha e traga um amigo se tiver." Bernard Shaw.

*"Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda se houver." Winston Churchill.


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Clayton, o cominho

Bósnia-Herzegovina, primavera de 3027. Cinco e meia da manhã. As folhas das árvores caem compulsivas ao vento, infestando o chão ainda úmido da nevasca do dia anterior. É mesmo uma primavera bizarra. Como bizarros poderão parecer os fatos nesta manhã cinzenta.

Clayton, o cominho, alonga-se após um longo sono de três décadas. Vai até o espelho e ri de si mesmo: “Ah, ah, ah, ah, ah”. Lá fora, a cidade desperta pouco a pouco sem nem ao menos desconfiar do recém ocorrido. Que, de qualquer forma, não faz a menor diferença mesmo. Clayton jamais fora alguma coisa na vida. Nada além de um mero cominho que infestava a comida dos outros com um hálito fétido de órgãos genitais femininos pouco asseados. Em especial, pastéis, empadas e risoles recheados com frutos do mar.

Mas, após a experiência, tudo ficaria diferente, como de fato está a ocorrer.

Herzegovina-Neretva Canton, primavera de 3027. Cinco e meia da manhã. Jaderson Sinclair, cientista e camelô (tempos difíceis, sem dúvidas) dirigi-se ansioso para o curral, com o intuito de encilhar Guta, mula manca e amante nas horas vagas, e iniciar o trajeto que o levaria para a fama, a luxúria, o bem bom e às drogas logo em seguida. Ou não.

Condomínio Chapéu do sol, primavera de 3027. Cinco e meia da manhã. Edineide Kéllen da Silva dorme.

Bósnia-Herzegovina, primavera de 3027. Duas horas depois. Clayton, o cominho, em frente ao espelho, continua a rir de si mesmo: “Ah, ah, ah, ah, ah”.

Herzegovina-Neretva Canton, primavera de 3027. Sete e meia da manhã. Jaderson Sinclair, indiferente aos olhares insinuantes de Guta e enquanto viaja à incrível velocidade de cinco quilômetros horários, pensa que algo, talvez, tenha dado errado.

Condomínio Chapéu do sol, primavera de 3027. Sete e meia da manhã. Edineide Kéllen da Silva dorme.

Bósnia-Herzegovina, primavera de 3027. Cinco horas depois. Clayton, o cominho, pára de rir, sai da frente do espelho e vai até a janela, no segundo andar do prédio de tijolos de papel higiênico reciclado. Quase não acredita. Agora possui uma cabeça. E tronco também. E membros. Muitos membros. Clayton quase não cabe em si de tanta felicidade. A primeira coisa que faz, então, é meter um dos seus sete dedos indicadores da mão direita em um dos vinte e três buracos do próprio nariz.

Na rua, uma multidão começa a aglomerar-se em frente ao prédio, apontando para a janela no segundo andar.

Enquanto isso, o Doutor Jaderson Sinclair pára no meio do caminho para urinar, e descobre que cometeu um terrível erro. Sacudiu antes e urinou depois. Profundamente irritado, espanca violentamente Guta, a mula, que, no entanto, parece gostar da sova. Quanto mais ele bate, mais ela se arreganha.

Quanto a Edineide Kéllen: ronca e baba.

Fim de tarde. As sirenes continuam a rasgar os incrédulos tímpanos urbanos. Uma multidão de repórteres operadores de câmeras de televisão acotovela-se em frente ao prédio. Apesar de a polícia já ter isolado a área, as autoridades locais informam números alarmantes: algo em torno de 239 mortos e mais de três mil hospitalizados. A maioria por conta de uma maionese caseira com salmonela inserida nos sanduíches ali vendidos por um ambulante de nome Çaçáulo (assim mesmo, com dois cês cedilha – o pai dele era gago e analfabeto, e o escrivão do cartório de registro civil um grande sacana galhofeiro). Clayton, não conseguindo entender bem o que está ocorrendo, solta um enorme e avassalador flato pelo ânus superior esquerdo e resolve doar um dos seus pâncreas para uma instituição de caridade.

O Doutor Jaderson Sinclair, já próximo aos portões de Sarajevo, exausto e faminto, pede a mão de Guta, a mula, em casamento. Esta, por sua vez, não aceita, dando-lhe um coice tal que o manda direto por cima dos imensos muros da cidade. Guta considera um sacrilégio a união estável entre seres de espécies diferentes.

Quanto a Edineide Kéllen: dorme feito uma almôndega.

Enquanto as crianças saboreiam os dezessete quilos de pâncreas com creme de leite, arroz branco e batata palha, cedidos gentilmente por Clayton, o Doutor Jaderson Sinclair corre feito doido pela cidade para saber onde pode encontrar pasteis, empadas ou risoles recheados com frutos do mar, ao mesmo tempo em que enfia goela abaixo o conteúdo translúcido de um pequeno copo cheio de uma bebida fermentada, feita da borra do caldo de cana, ou do cabaú, que, outrora, era servida aos animais e aos escravos dos antigos engenhos, conhecida como marafa, marvada, alpista, teimosinha ou tira-vergonha. Em cada boteco que adentra, na tentativa de catapultar a mula manca de seu coração, o Doutor Sinclair empina mais uma.

Quanto a Edineide Kéllen: acorda para cuspir e volta a dormir.

Já é noite e a turba ensandecida se dispersa. A notícia da benevolência de Clayton se espalha e ele é convidado para ser ministro da saúde, cultura, educação e desporto, economia, relações exteriores, indústria e comércio, justiça, desenvolvimento, agricultura, ciência e tecnologia, meio ambiente, telecomunicações e herói nacional nas horas vagas. Nesta noite Clayton não consegue dormir. Tanto pela emoção quanto pela verruga cabeluda, vesga e fanha que cresce a olhos vistos em sua nuca esverdeada.

O Doutor Sinclair vaga pelas ruas gritando a plenos pulmões: “Guuuuda bia bula, beu abor”, chorando soluçante e deveras condoído por ter gastado todo o seu dinheiro em água-que-passarinho-não-bebe.

Quanto a Edineide Kéllen...

Então, eis que não mais que de repente, surge Bubba, o belga, e sua babá balofa. Bubba bisbilhota bem bisbilhotado a bela bronca bíblica entre o bispo Blanco e a boate “Bolota Babilônica”, depois bate boca com a babá balofa por conta de uma baita bobagem e, brabo, entra no bote bege e ruma, só, para Beribéri (bem ao sul de Bogotá) para pescar bacalhau branco à bala e bebericar uma beberagem boa chamada “Bruma de belzebu”.




(Continua... na próxima edição – se houver!)





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Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.

Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Corte a cabeça de dois escorpiões de tamanho médio. Bata as claras em neve. Coloque os tomates em água escaldante e remova após dez segundos. Descasque e corte em quatro partes. Descasque o pepino e corte em cubos. Em uma tigela, combine o azeite, o limão, o alho, o sal, a pimenta e as glândulas sebáceas retiradas das axilas de uma porca virgem. Adicione os tomates, o pepino e os demais ingredientes. Leve tudo ao liquidificador e bata bem (como se a cabeça da sua vizinha do 502 fosse).Unte com manteiga um pirex, derrame a mistura e leve ao forno por mais de trinta e menos de trinta e um minutos em banho-maria. Acrescente a cobertura de tinta PVA verde escarola pink fosca e óleo de máquina Singer e atire tudo do vigésimo quarto andar (sem a forma). Grite Hip, hip, hurra ininterruptamente das duas às sete da manhã e saia para procurar um novo lugar para morar.

Não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para:

eunaoqueromaisreceberessagalhofada@cancaborrada.com.br,

ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase: “Eu praticamente sou um mingau de aveia”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está (Apenas mova a cabeça um pouco mais para a esquerda, por favor. Aí! Aí está bom. Obrigado.).


Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br

Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.

Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal): “Nem vem que não tem”.


Sem mais delongas:

Lehgau-Z Qarvalho – El Kabong.

Ottomano Vibe – Babalu.

O Resto – Meros biscoitos caninos.



http://khzine.blogspot.com/

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

KHzine

Calembures ignóbeis, falsidade ideológica e comportamentos execráveis.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Connecticut, outubro de 2006.
Edição de número 004
Para ser lida, lida, lida e relida e sempre rida logo em seguida.
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Periodicidade é o cacete!!!
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Editorial


Eu conheci, certa feita, uma base nitrogenada purínica que se emparelha com a citosina na molécula de ADN, que gostava de fingir-se de base nitrogenada pirimidínica que se emparelha com a adenina na molécula de ADN, só para galhofar da organela citoplasmática visível ao microscópio eletrônico sob a forma de grânulos escuros, composta essencialmente de ácidos ribonucléicos e proteínas, na qual ocorre a síntese de proteína.

Não existe nem nunca existirá, jamais, em todo o universo, tamanho ato de sarcasmo.





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Pensamento do mês:

Em verdade, em verdade, eu vos digo:
é possível se comer qualquer tipo de dejeto ou troçulho (putrefato e malcheiroso inclusive). Tudo dependerá da quantidade de alho envolvida.”


Josef Perdigão






Barbie no psicanalista
Por Lehgau-Z (e seus neurônios amestrados)


Ocorreu que a Barbie
Tinha me procurado
Estava em péssimo estado
Queria trocar de namorado
Melenas louras em desalinho
De vez em quando chorava baixinho
A maquiagem toda borrada
Se encontrava mal mesmo a coitada
Andava por aí armando barraco
E já no fundo do buraco
Fedia a álcool e a tabaco

Perguntei do que se tratava
Enquanto me dizia soluçava
“Nada mais me resta”
“O desgraçado não presta”

Mas o que que o Ken te fez?
Te trocou pela Susie de vez?
“Não”, me respondeu meio assim
“É que ele não tem bingulim”

E desatou a chorar
Eu, meio encabulado
Fiquei ali parado
Com pena do mal-acabado

Ela me olhou de repente
Um olhar meio diferente
Botou a mão na minha perna
E foi seguindo em frente

Sentindo que o troço ia ficar quente
Deixei a coisa rolar
Tirou o vestido e as botas
Tudo bem devagar
Mas quando tirou a calcinha
As lágrimas voltaram-lhe a face
Eu, louco pelo desenlace
Puxei-a pra cima da minha

Ela então ficou bem histérica
Berrava feito uma louca
Amaldiçoando a América

Foi bem aí que eu logo entendi
Fizeram-na linda e fogosa
Cheia de charme e gostosa
Mas sem o buraco de fazer xixi

E não me dei por vencido
Me levantei bem decidido
E falei devagar
Agüenta aí minha boneca
Que agora eu vou te ajudar
Vai doer um pouquinho
Busquei logo um preguinho
Aqueci na chama do fogão
E enfiei no lugar em questão

Hoje a Barbie é outra mulher
Mais decidida e sabe o que quer

E eu também me dei muito bem
Fiquei famoso, tornei-me alguém
O ocorrido por aí se espalhou
Dia desses até a Susie me procurou


E o Ken?

O Ken eu nunca mais vi
Depois que me apareceu por aqui
Desatinado também o guri
Mas com macho a coisa é diferente
Tentei enjambrar com cola quente
Mas ficou coisa bem feia
Ele logo passou a me elogiar
Eu, vendo que não ia funcionar
Agarrei de novo o preguinho
Fui chegando de mansinho
E furei ele atrás

No começo não gostou
Saiu bem irritado
Mas depois o Bob me contou
Dizendo que o encontrou
Estava bem alegre o rapaz
E logo me confessou
Eu é que ainda não tenho paz
E foi se deitando de bruços
Com o semblante em tormento
A voz em tom de lamento

Berrou:

“Doutor! Me aplica aí o tal tratamento.”





E então Charlote, a rainha do reino disfarçado de humilde, falou:

“Bem amigos, se não for do meu jeito, nada feito!”

E assim fez-se a chatice.




A propósito:
O Senhor também, por algum acaso, já ouviu falar em “cantisflacretomestiforilitação”??? Não??? Então terei de lhe explicar tin-tin por vrum-vrum.

Disse a minhoca ao cortador de grama.





Para Zlata
Por Lehgau-Z (e seus cabelos faltantes)

Zlatando brisas zlatando!
O chapéu de Qarvalho levando!
Zlatando brisas zlatando!
Atrás do chapéu Qarvalho voando!
Por todo o monte, vale e relvado,
Seja o chapéu sempre levado,
Zlatando brisas zlatando!
Enquanto Zlata vai o piano tocando...







Histórias pisciculturais de forno e fogão


Rimta, a princesinha

Havia um rei com doze lindas filhas. Elas dormiam em doze camas dispostas em um mesmo quarto, e quando iam deitar-se, a porta era fechada e trancada. Contudo, a cada manhã os seus sapatos estavam bem gastos, como se elas com eles tivessem passado a noite a dançar. Mas ninguém conseguia imaginar como isso podia ser, ou aonde as princesas poderiam ter ido.

Então o rei mandou anunciar por todo o reino que se alguém desvendasse o segredo de onde as princesas dançavam durante toda a noite, poderia escolher a que mais lhe agradasse como esposa e seria o herdeiro do trono.

Logo o filho de um rei se ofereceu para descobrir o segredo das princesas. Foi bem recebido no castelo e, à noitinha, levado para o quarto ao lado do das princesas. Lá, ele deveria permanecer de guarda para descobrir aonde as princesas iam dançar. E, para que nada se passasse longe de sua visão, a porta do quarto delas foi deixada aberta.

Mas o príncipe logo adormeceu e, quando acordou pela manhã, descobriu que as princesas haviam dançado toda a noite, porque os sapatos delas estavam cheios de furos. Muito irritado, resolveu perguntar diretamente a uma delas onde haviam ido:

“Hei, é contigo que quero falar menina. Onde estavas a dançar ontem à noite? Não me venhas com mentiras!”

“Ah, senhor. Hum... Peço-lhe desculpas. Fomos todas encontrar a árvore do meio do canteiro que protege a roseira.” Falou a bela princesinha.

“Árvore do meio do canteiro que protege a roseira?!” Do que estás falando menina?” Retrucou o príncipe, ainda mais irritado.

“Sim, fomos lá para ajudá-la a arrobiar.”

“Arrobiar?!”

“É, arrobiar!”

“E o que vem a ser a-r-r-o-b-i-a-r?!” Exaltou-se o príncipe.

“Ora, ‘arrobiar’ é uma mistura de arrotar e assobiar, com um berro no fim e um espirro no meio.” Respondeu a princesinha.

“Humpf!” Retrucou o príncipe.

Foi então que a ovelha apareceu e perguntou para a princesinha:

“Qual das doze tu és?”

“Sou Rimta!”

“Sabes remar?” Continuou a ovelha entregando um par de agulhas de tricô para ela.

“Sim, sei remar um pouco, mas não na terra, e muito menos com agulhas de tricô...” Dizia Rimta enquanto as agulhas transformavam-se em remos nas suas mãos e ela ia percebendo que as duas estavam em um pequeno barco, deslizando sobre a água, entre duas margens não muito distantes, porém bastante altas.

Havia alguma coisa muito estranha a respeito daquela água, pensou Rimta, porque, de vez em quando, os remos ficavam grudados nela e era muito difícil puxá-los de volta.

De repente Rimta avistou uma grande concentração de nenúfares em fabulosa algazarra. Foi quando todos pararam para observarem-na. Surpresa, Rimta quis saber mais sobre eles. A ovelha, com característico ar de desdém, balançou os ombros e disse:

“Não passam de pequenos arbustos revestidos de tomento prateado, com grandes folíolos filiformes e flores escarlates, axilares, solitárias ou geminadas, nativos das ilhas Canárias e cultivados como ornamentais. Nunca me inspiraram confiança.”

“Faça o barco parar!” Disse Rimta. “Quero levar alguns comigo.” Decretou.

A ovelha soltou um grande mmméééééééééé... E desapareceu sem deixar vestígios.




Pequena fábula sobre coisa alguma

Havia no mundo de Zflarta um plantador de histórias falsas. Rico, belo e portentoso. Ele queria apenas melhorar a própria imagem perante a população de Plutão (aquele maldito asteróide). Em um belo dia de sol, sob o apupar das gralhas, o rinchar do palafrém e o zonzonear das irapuãns, disse para todos que não mais iria fazer isso.

“E se for mentira? Aliás, e se a história de plantar histórias falsas tiver sido mentira todo esse tempo?” Alarmou-se Zflarta.

“Isso tudo me parece ter saído de um daqueles problemas de lógica: Tem uma superpotência que só fala mentiras, mas é a única que tem. Você tem que descobrir, com apenas três cotonetes e uma fatia de queijo cheddar com catchup, mostarda forte e maionese, quantos agentes da CIA estão infiltrados na Arábia Saudita”, retrucou o monge, fazendo pptssssssss ao abrir uma lata de refrigerante light.




KH Ciência

Curiosidades curiosas que em nada contribuem para o bem-estar da humanidade

Por Juca Fuhrunga


Desde que Addison descreveu as conseqüências da lesão vagemnal para o organismo vagemnoso, em 1849, os estudos da endovagemnologia tomaram novos rumos, até o complexo entendimento da função dos hormônios vagemnoesteroidais, que passaram a ocupar importante papel terapêutico mais tarde, no tratamento da vagem periodôntica e outras patologias, até então de difícil controle.


Hoje se sabe que o córtex vagemnal sintetiza duas classes de vagemnosteróides: os pirilampos do bum bum azul e os parlapatões do bam bam azedo.

Mas, sobre o que realmente houve em termos de reações atropologicoquímicas de lá para cá, pouco se sabe. Apenas que as vagens teriam adquirido a cor verde após terem alcançado a forma de palitos com pequenos feijões dentro.






Jeitosinho, o melhor amigo imaginário de Van Gogh

Então Jei, tentando remendar o estrago que acabara de cometer com mais uma de suas brincadeiras estúpidas, berrou da janela do ateliê para a turba ensandecida:

“Hei! Quem de vós se habilita a dar um novo tapa na orelha do Vi???




KH Nooootííícias


Cisne negro paquera pedalinho na Alemanha

Um raro cisne negro se apaixonou por um barco de aluguel movido a pedal em um lago alemão, informou o repórter Pelicano.De acordo com biólogos, o cisne negro australiano está manifestando todos os típicos indícios de estar amando - circula em volta de seu amor de plástico, olha continuamente para ele, emite sons em forma de música, tentou comprar a casinha das tartarugas no centro do lago e não permite que mais ninguém dê uma pedalada no seu amor.
Tanto o barco quanto o cisne vivem no lago Aasee (but não acreditei), em Münster, Westfália, noroeste da Alemanha, Connecticut.O barco, um pedalinho de plástico feito para se parecer com um cisne, é alugado para famílias que vêm passear à beira do lago.

Os biólogos estão preocupados porque cisnes são monogâmicos, o animal provavelmente desperdiçará sua vida inteira correndo atrás de um objeto de plástico, tal qual certos seres da espécie humana.




Homem é suspeito de matar mulher com salsichaço

Trinidad e Tobago - Promotores e a polícia local disseram, esta manhã, que prenderam um homem de 50 anos depois de encontrar o corpo de uma mulher em Zwichau, leste da Alemanha, Canguruaçú, Connecticut. Ela havia sido asfixiada com um Bockwurst, uma grande salsicha, muito popular na Alemanha.Os promotores disseram que o homem contou uma história complicada e admitiu "administrar" a salsicha na mulher (desde antes do casamento). Os fatos ainda estão muito confusos e a polícia está investigando para saber o que exatamente aconteceu para resultar na morte da mulher, além de suspenderem por tempo indeterminado o uso de salsichas Bockwurst (sim, foi isso também a última coisa que a mulher falou) nos lares ditos moralmente corretos da região.




Mulher croata tenta comer raio e acaba queimando a rosca

Uma mulher croata teria ficado com queimaduras graves no ânus depois que um raio teria entrado por sua boca e saído “por baixo”, de acordo com o site bósnio Ohdá Odehce. O raio teria acertado Natasha Tinhaharovip enquanto ela escovava os dentes, com a boca encostada na água da torneira, fazendo a corrente passar pelo seu corpo.

Como Natasha estava usando sapatos com solado de borracha, o raio não teria conseguido fazer o terra através dos seus pés. A eletricidade teria então tomado a rota mais fácil: sair pelo reto e fazer o terra através da cortina de box do banheiro úmida.

"Eu estava assando rosquinhas no forno quando resolvi escovar os dentres... Foi uma dor horrível, eu senti ele passar pelo meu corpo e depois apaguei e as roscas acabaram queimando”, disse Natasha. Um médico declarou a um canal de televisão local que "se a mulher não estivesse usando sapatos, provavelmente estaria morta”.




Gorgulho dos EUA é eleito "mais feio do mundo" de 2006

Um gorgulho norte-americano ganhou a 18ª edição do concurso do "Gorgulho mais feio do mundo", realizado na cidade de Pentaluma, nos EUA. Archie, um gorgulho chinês (Chinese Sitophilus Oryzae) natural de Arizona, Cachoeirinha, Connecticut, venceu outros 17 concorrentes, desbancando o favoritismo dos adversários.

O caruncho, de coloração castanho-escura, com quatro horríveis manchas vermelhas nos élitros e cinco dentes cariados, levou US$ 1 mil pelo primeiro lugar. Cerca de 300 mil pessoas votaram via Internet para escolherem os finalistas, mas a eleição final ocorreu após avaliação de quatro juízes, que selecionaram o campeão, baseados em duas categorias: o pedigree class (avaliava o pedigree dos rapa-cuia) e o mutt class (avaliava se os seus pais eram de raças diferentes).

A história do vencedor é curiosa. Sua atual dona trabalhava em um abrigo para gorgulhos abandonados, mantido pela Organização Não Governamental para a Saúde, Preservação e Bem-estar dos Gorgulhos Carentes, onde ele ficava. "Ele chegou até nós muito assustado e faminto. Havia passado duas semanas refugiado no mato sendo obrigado a comer frutas da estação, enquanto se escondia de um grupo de plantadores de trigo, arroz, sorgo e milho que o perseguiam ferozmente. Daí meu marido e eu gostamos tanto do carunchinho e nos tornamos tão simpáticos a sua causa que decidimos ficar com ele", contou a dona do campeão.

Agora, o próximo desafio de Archie é o "duelo de campeões", onde ele enfrentará vencedores das edições passadas. A próxima edição do "Gorgulho mais feio do mundo" será realizada em junho de 2007.




E lembre-se:
Jamais escove os dentes sem sapatos com solado de borracha, e mantenha a cortina do Box do banheiro sempre sequinha.




ENTREVISTA

O pessoal do programa RADAR da TVE do Rio Grande do Sul veio fazer uma matéria televisiva com a redação do KHzine (AEEEEE!!!)
(A matéria foi ao ar na segunda-feira, dia 16/10, às 18 horas).

Confira aqui os momentos de maior tensão da entrevista:


Como foi ter a idéia de fazer o KHzine?

Tudo começou quando eu, um dia qualquer, há dez anos mais ou menos, acordei e, ao abrir um saco de cookies (também conhecidos como biscoitos) integrais de nozes da Tasmânia (fonte de proteínas, fibras e sem colesterol) – que por acaso ainda está aqui - disse: tuuuudo bem Pimpão. É iiiiiiisso aí Pimpão.



Quais são as técnicas utilizadas para fazer o KHzine?

Uma vez o Igor Cavalera esteve em Porto Alegre para dar um Workshop sobre as suas técnicas para tocar bateria. Daí, chega o tão esperado dia e horário. Sala cheia. Todos a espera do conhecimento técnico/teórico do mestre. E ele: (Sentado atrás da batera) “O negócio é o seguinte. Não tem técnica nenhuma. O lance é tocar e pronto.”
E lá ficou por quase duas horas marreteando os tambores e todo mundo babando em volta.
Então é isso aí. O KHzine é o Igor Cavalera dos fanzines virtuais.



O que significa o nome KHzine?

O K vem de Kafka e o H é de Hermann (Vibe), avô do Ottomano, que foi um profícuo pensador e calemburista do absurdo. Morreu louco, pobre e ilustremente desconhecido.





“Imediatamente, Hatta saiu pulando como se fosse um gafanhoto.”

A máxima das máximas de Hermann Vibe
(Dizem que não é dele a frase. Vai se saber...)




“Tenho mania de conferir se ganhei na Mega-Sena, todas as semana. Mesmo sem ter jogado.”

Hermann Vibe



“Livros são como bundas, importam menos os tamanhos, do que a consistência e os gingados.”

Leo Cócito
(Escritor e proxeneta)


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Perguntas que, de tão óbvias, jamais deveriam ser perguntadas

*Se os vegetarianos comem vegetais, o que comem os peruanos?





O amor de xÍis por aGah
Em miguxês legítimo

oOoiiiieEeEeExXxXxX gNt!!!!!!Bom eU tOh aKi dinOvUh p/ fLa dih 1A pEsSoA q eH + q eSpeciaL p/ eU!!!!!!P/ fLa duMa pesSoinhA q eU amoOoO!!!!intAum vamOo LaH...eSsa gRand pIquenO minIninHo q vxS taUm veNu ai, eh + q mEu Migo...!!!!!nOis seH cuNheçI desdih qnD nois tnHamOox 2 anOs, + nOis cUmEço a seH miGo mXm, O cOmeçiNhoO dOh anO pasSadO (((2005)))hj eLe eh mEu melhOr mIgo, neLi eU seI q eU possU cunfia, q eLe nuM eH q nEm 1aS otRa pesSoinhaX aI q eU cuNheÇoO q soh saBi meNti, trAi, se hiPocrItah...q Soh pEnsa naH pRoPria pEsSoA!!! aff...aLiaX, aPezaR de tD q esSax pEssOinhAs fazem, eU tnhU q asGradeÇe à 1a deLas, pq fOi graÇax a eLi q eU e o bOboNIitOo, noS aPrOximO!nUm vOh fLa nOmis...+ ...faZe u q ? esSas pessoas aPesaR dIh tD, aInda seRvi p/ aLguMa cOiSaxXxXxX!!!! haUhaUhaUhaU*Eu amOoO esSi MiNiNoO aI, eLi sP vaI se mEuh miGu!!!!eLi jA mi aJudO mT, qNd pResIsei, e sEi q sEh eU preSisa dI nOvuX eLi vAi sP taH dOh meO lAdoO ? ♥ ?¿ ·[L]¨ ™





Produtos
Por Oscar Wilde, em O Terceiro Homem

Na Itália, durante 30 anos sob os Bórgias, houve guerras, terror, assassinatos, sangue. Eles produziram Michelangelo, Leonardo da Vinci e a Renascença. Na Suíça, eles tiveram amor fraternal, 500 anos de democracia e paz, e o que produziram? O relógio de cuco.






A triste história do garoto Miurrause

Miurrause sempre foi um bom garoto. Obediente. Íntegro. Pertinaz. Preferia limonada com açúcar mascavo a Coca-cola ou Fanta uva. Mirinda menos ainda. Degustava todo o seu (o dele é claro) Yakult com lactobacilos vivos sempre na mesma hora, pela manhã bem cedinho, até o colostro, e fazia seu trololósinho quarenta e cinco segundos depois sem o menor questionamento. Miurrause era um amor.

Mas, em um dia cinzento de outono, Miurrause experimentou uma leve picada no tornozelo direito e passou a sentir-se estranho. Um olho adicional começou a crescer em sua nuca (na dele, é claro). E Miurrause, ao tentar coçá-lo (o olho, é claro), ocasionou um grave descolamento de retina. Miurrause, então, tinha um olho adicional na nuca, sim, por certo. Mas cego estava. Miurrause principiou a chorar e molhou as costas.

Rumou então, tropeçando na cauda, para o quarto dos pais, mas não conseguiu passar pela porta porque a bolha em seu pescoço (no dele, é claro) já tinha atingido o tamanho de um garoto de oito anos. Gordinho, desaforado e com chulé. A mãe, certamente, saberia o que fazer – mas ela apenas lhe ofereceu biscoitos e disse para que não se preocupasse. Precisava sair para o trabalho. Estava atrasada. Tinha uma reunião com os coreanos naquele dia. Afinal, Miurrause se virara sempre muito bem sozinho. Já era um homenzinho.

A mãe bateu a porta da rua e Miurrause rastejou tentando locomover-se da melhor maneira possível por intermédio das ventosas que substituíam rapidamente suas mãos, pés, joelhos e barbatanas. Miurrause queria gritar, mas apenas uivos, mugidos e trinados saíam de sua garganta verde e cascuda. Ao passar pelo peludinho e fanfarrão Tobi, o cãozinho, abocanhou-lhe de supetão, soltando um imenso arroto logo em seguida. Tombou na escadinha da porta dos fundos da casa onde vivia, e ali ficou até o dia seguinte.

Quando despertou de seu sonho pecaminoso, em que comia toda a grama do jardim sem dispensar os grilos, os gafanhotos e as formigas ruivas, sentiu que possuía também orelhas pontiagudas, grama sintética nas costas, peito e costeletas, um chifre de aproximadamente três metros saindo da testa e um piercing no umbigo esquerdo. E foi bem aí que as bolhas começaram a estourar a cada dez exatos segundos.

Miurrause a tudo suportou com bravura e altivez. Foi em frente como pode. Tornou-se apresentador de programas de Tevê. Fez fama e fortuna. Mas, em uma gélida noite de um rigoroso inverno, Miurrause sucumbiu em um ataque histérico ao encontrar apenas meia barata em seu (no dele, é claro) consomê.



Lições de marketing político

Microinstruções para eleger o seu (o seu mesmo, é claro) candidato:

*Institua uma organização com um nome que fique entre duas letras e um número;
*Crie um departamento de informações falsas para melhorar a imagem do seu candidato;
*Espalhe uma notícia falsa através da grande imprensa;
*Aguarde a informação de que a notícia é falsa pela grande imprensa;
*Só então confirme que a notícia é realmente falsa.



O dia em que Clésrtron se arrependeu

Abriu um olho. Depois o outro. Desconfiado, ergueu-se e foi até a janela. O dia estava cinzento e ele, inexplicavelmente, despertara no Suriname. Mais especificamente, em Paramaribo. Mais especificamente ainda, em Little Belém. Mais especificamente ainda ainda, no terceiro e último andar de uma espelunca chamada Fuc-fuc. Soube que lá estava no exato momento em que reconheceu a voz de uma prostituta de nome Maria do Carmo discutindo aos berros em taki-taki, entre uma axé lambada e um pagode chorado, com um revendedor de produtos cosméticos provenientes de bolsas e malas de turistas desavisados. Era sua ex-esposa, com quem teve apenas um poodle chamado Roberto Carlos e um hamster de nome Dion.

Desceu as escadas correndo alucinado e se atirou na carroceria de um caminhão que fazia a coleta de lixo. Encontrou ali trinta e oito famílias refugiadas da guerra do tráfico no Rio de Janeiro (aquele lugar para onde todo mundo foge quando rouba alguma coisa nos filmes hollywoodianos). Rezou para que o mundo fosse realmente dividido em apenas certo e errado e transformou-se em embalagem reciclável.



Assim falou Heródoto
(Provocando o fim das dietas a base de almôndegas)

“Chega de comermos penas, pés e bicos de frango camuflados em inocentes embutidos.”




Fernando Pessoa teria dito para um certo ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa:

“Cá, pois, amigo Bernardo, temos todos os espelhos defeituosos.”




PUFF...
Por Bernardo Soares

Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém.




E lembre-se:
''PORCOS NÃO OLHAM PARA O CÉU''

(Por isso não usam guarda-chuva)





Expediente

Caso você não queira mais receber o KHzine diretamente em sua caixa de mensagens, nada poderemos fazer a respeito.

Mas você pode tentar um mandinga que, dizem, já deu certo com outros veículos inoportunos como este:

Bata com a cabeça na parede até formar um coágulo no cérebro. Diga ao primeiro que encontrar, refletido no espelho, que você não gostou nem um pouco do novo Bis sabor laranja. Desestimule qualquer desejo ou iniciativa sua de se transformar em uma couve-flor. Inicie uma violenta discussão com um dos três malditos peixes dourados daquela vizinha chata do 502, chamando-o de “afilhado, ai-jesus, apadrinhado, apaniguado, beliz, benjamim, cochado, dileto, eleito, favorecido, favorito, mimado, mimoso, nepote, paparicado, peixe, peixinho, predileto, preferido, privado, pupilo, queridinho, querido, valido”. Depois provoque a sua sede até não agüentar mais e, em seguida, acabe com ela com água da privada. Grite "bubumbaticundunburungundum” (adagio, ma non troppo) sete vezes, faça méééééé para um salamito e saia para comprar pasta adesiva para a dentadura da sua avó. Não esqueça de, ao final do sortilégio, mandar um e-mail para: mailto:eunaoqueromaisreceberessa%20chorumela@cancaborrada.com.br,
ou envie uma missiva para: Rua Nossa Senhora do Cantinho Perdido, Beco C, Nova Caledônia, Ilhas Norfolk, Connecticut, contendo a seguinte frase: “Eu odeio pelotas no mingau”.

Caso você queira continuar recebendo, permaneça como está (apenas penteie as sobrancelhas, por favor).



Demais contatos infundados podem ser perpetrados através de:
khzine@yahoo.com.br


Se você quiser passar este amontoado de inépcias adiante, o problema é seu.
Mas nós agradeceríamos do fundo de nossas sinapses.

O KHzine não se responsabiliza por absolutamente nada.

Como dizia o grande mestre e cabeção Rui Barbosa (em parceria com Wilson Simonal):
“Nem vem que não tem”.



Sem mais delongas:

Lehgau-Z Qarvalho – Assoviador.
Ottomano Vibe – Chupador de cana.
O Resto – Quem???



http://khzine.blogspot.com/

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

EXTRA, EXTRA!!!

Saiu o KHzine versão impressa!!!


Se você já achava uma extremidade do membro inferior abaixo da articulação do tornozelo e terminada pelos artelhos, assentada por completo no chão, e que permite a postura vertical e o andar dos seres humanos, em contato abrupto com cada uma das duas gônadas masculinas, de formato ovóide, que, no feto, encontra-se no abdome e, logo após o nascimento, desce para a bolsa escrotal, ter de receber, sem nem ao menos ter pedido, o KHzine diretamente em sua caixa de e-mails, agora você ainda pode ter esse simpático veículo de desinformação em suas próprias, asseadas e ilibadas mãos!!!

É isso mesmo que você acabou de ler. Não é balela não: tem para homem e para mulher, gente boa e canastrão.

E o melhor: é de graça, inteiramente grátis e sem custo algum. Não acarretando nenhum ônus para você. Não é o máximo??? (Não responda a esta pergunta, por favor).


Mas ATENÇÃO: a edição é limitada!

Corra para pegar o seu!!! (Não nos responsabilizamos por acidentes, atropelamentos e possíveis contusões).


KHzine versão impressa: você ainda vai ter um.



*Nas melhores quebradas do ramo.